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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Caminho que vos conduz ao Seu Reino

 

Caminho que vos conduz ao Seu Reino

- Hoje, na Glória do Paraíso e na Luz Purificadora do Purgatório, acolho a homenagem de toda a Igreja terrena e peregrina, para oferecer, com todos vós, a Coroa da Sua Realeza a Jesus Cristo, Nosso Deus, Nosso Salvador e Nosso Rei.

- Jesus deve Reinar, antes de mais nada, nos corações e nas almas de todos, porque a Sua Realeza é uma Realeza de Graça, de Santidade e de Amor.

- Quando Jesus Reina na alma de uma criatura, esta é transformada por uma Luz Divina, que a torna cada vez mais Bela, Luminosa, Santa e Amada por Deus.

- Por isso, a Minha tarefa materna consiste em afastar das almas dos Meus filhos toda a sombra de pecado, qualquer insídia de egoísmo, qualquer domínio de paixão, para conduzir todos pelo caminho de uma Grande Santidade.

- Então Jesus poderá instaurar verdadeiramente o Seu Reino nos vossos corações e nas vossas almas e tornar-vos-eis o precioso domínio da Sua Divina Realeza.

- Jesus deve Reinar nas famílias, que se devem abrir como pedras preciosas ao Sol da Sua Realeza.

- É por isso que Eu atuo nestes tempos, a fim de que nas famílias cresça:

a harmonia e a paz,

a compreensão e a concórdia,

a união e a fidelidade.

- Jesus deve Reinar em toda a humanidade, para que ela volte a ser um Novo Jardim, onde a Santíssima Trindade possa receber encanto e beleza, amor e perfume de toda a criatura e seja, assim, Glorificada, estabelecendo a Sua Morada Habitual entre vós.

- Por isso, atuo, hoje, intensamente, para conduzir toda a humanidade pelo caminho do retorno a Deus, por meio da Conversão, da Oração e da Penitência.

- Eu mesma conduzo o Meu Exército, chamado a combater contra o exército do mal, de modo que seja derrotada, o mais breve possível, a força daqueles que negam, blasfemam contra Deus e agem incansavelmente para construir uma civilização sem Ele.

- Jesus deve Reinar na Igreja, porção privilegiada do Seu Divino e Amoroso Domínio.

- A Igreja é inteiramente Sua porque:

nasceu do Seu Coração dilacerado,

cresceu no Seu Amor,

foi Lavada com o Seu Sangue,

desposada com Ele através de um pacto inviolável de Fidelidade Eterna.

- Por isso, Eu atuo como Mãe, nestes momentos dolorosos da Sua Purificação:

para limpar uma vez mais a Igreja de toda a mancha,

para a libertar de todo o compromisso com o espírito do mundo,

defende-la dos ataques astuciosos do seu adversário,

conduzi-la pelo caminho da perfeição,

para que possa refletir, em toda a parte, o próprio Esplendor do Seu Divino Esposo Jesus.

- O Meu Coração Imaculado é o caminho que vos conduz ao Seu Reino.

- De fato, o Triunfo do Meu Coração Imaculado coincidirá com o Triunfo do Meu Filho Jesus no Seu Glorioso Reino de Santidade e de Graça, de Amor e de Justiça, de Misericórdia e de Paz que será instaurado em todo o mundo.

-Por isso vos convido hoje a Oração e a Confiança, vos chamo a Paz do Coração e a Alegria porque o Glorioso Reino do Senhor Jesus já está as portas.

MSM-Movimento Sacerdotal Mariano / Padre Stéfano Gobbi / 23.11.86

Clique aqui e veja também:

Quando o Filho do Homem voltar

Esperança faz crescer no amor

Pecado e morte

“Senhor, que vosso Amor, Sofrimento e Sangue derramado,

não tenha sido em vão pelas nossas almas e

pelas almas dos Sacerdotes, Filhos Prediletos de Nossa Senhora.”

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

O anúncio dos Três Anjos

 

O anúncio dos Três Anjos

- Hoje os Anjos de Luz do Meu Coração Imaculado estão ao vosso lado, meus prediletos e filhos a Mim consagrados.

- Hoje é a sua festa.

- Honrai-os, invocai-os, segui-os, vivei sempre com Eles, pois Eles vos foram dados pelo Pai Celeste como vossos guardas e protetores.

- Este é o seu tempo.

- Este último Período da Purificação e da Grande Tribulação corresponde a uma particular e forte manifestação dos Anjos do Senhor.

- Entrastes na fase mais dolorosa e difícil da Batalha entre os Espíritos do bem e os Espíritos do mal, entre os Anjos e os Demônios.

- É uma luta terrível, que se desenrola a vossa volta e acima de vós.

- Vós, pobres criaturas terrenas, estais envolvidos nesta luta e, assim, sentis de maneira particularmente forte as insídias que os Espíritos maus vos armam, para vos levar para os caminhos do pecado e do mal.

- Então, estes são os Tempos em que a ação dos vossos Anjos da Guarda se deve tornar ainda mais forte e continua.

- Invocai-vos frequentemente,

escutai-os com docilidade,

segui-os em cada momento.

- O culto de veneração e de louvor aos Anjos do Senhor deve estender-se mais e tornar-se mais solene na Igreja.

- De fato, é a Eles que está reservada a tarefa de vos dar o tão esperado anúncio da vossa já próxima libertação.

- Esperai com confiança o Anúncio dos três Anjos, acolhei-os com alegria e segui-os com amor.

- A Vossa libertação coincidirá com o fim da Iniquidade, com a completa libertação de toda a criação da escravidão do pecado e do mal.

- Aquilo que irá acontecer será algo tão grande como nunca houve desde o principio do mundo.

- Será como um Pequeno Juízo e cada um verá a sua própria vida e todas as obras na Luz de Deus.

- Ao Primeiro Anjo cabe a tarefa de proclamar a todos este anúncio:

“Daí a Deus glória e obediência, louvai-O,

porque chegou o momento em que Ele vai julgar o mundo.

Ajoelhai-vos diante d’Aquele que fez o céu, a terra, as fontes do mar.” (Ap 14,6-7)

- A vossa libertação coincidirá com a derrota de Satanás e de todo o Espírito diabólico.

- Todos os Demônios e os Espíritos dos condenados que se lançaram nestes anos, em toda a parte do mundo, para arruinar e levar as almas a condenação, serão precipitados no inferno de onde saíram, e não poderão mais causar dano.

- Todo o poder de Satanás será destruído.

- Ao Segundo Anjo cabe a tarefa de dar este anúncio:

“Caiu, caiu a Grande Babilônia, aquela que tinha feito beber a todos os povos o vinho inebriante da sua prostituição.” (Ap 18; 14, 8)

- A vossa libertação coincidirá sobretudo com o prêmio concedido a todos aqueles que se mantiveram fiéis na Grande Prova, e com o Grande Castigo que será dado aqueles que se deixaram arrastar pelo pecado e pelo mal, pela incredulidade e pela impiedade, pelo dinheiro e pelo prazer, pelo egoísmo e pela impureza.

- Ao Terceiro Anjo cabe a tarefa de anunciar o Grande Castigo:

“Se alguém adorar a Besta e a sua imagem e receber o seu sinal sobre a fronte ou na mão, beberá o vinho da Ira de Deus, deitado sem mistura no cálice do seu terrível juízo e será atormentado com fogo e enxofre na presença do Cordeiro e dos Santos Anjos.

O fumo do seu tormento nunca acabará.

Quem adorar a Besta e a sua imagem e todo aquele que receber a marca do seu nome

não terá descanso, nem de dia nem de noite.” (Ap 14, 9-11)

- Neste Tempo Final da Grande Tribulação, anunciado como o Tempo do Fim da Iniquidade, da derrota de Satanás e do Castigo dos Ímpios, é posta a dura prova a Constância daqueles que pertencem ao Senhor, que põem em prática os Mandamentos de Deus e permanecem fiéis a Jesus. (Ap 14,12)

- Por isso vos convido hoje a estar particularmente unidos aos vossos Anjos da Guarda, na Oração, escutando a sua voz e acolhendo docilmente a sua direção segura pelo caminho do bem e da santidade.

- Nestes tempos tempestuosos, em que Satanás domina com todo o seu tenebroso poder, é tarefa dos Anjos de Luz do Meu Coração Imaculado:

conduzir-vos pelo caminho da Constância e da Fidelidade a Jesus,

na observância dos Mandamentos de Deus e

no exercício de todas as Virtudes.

- Neste dia, juntamente com os vossos Anjos da Guarda, abençoo-vos com a alegria de uma Mãe que é por vós consolada e cada vez mais glorificada. 

MSM-Movimento Sacerdotal Mariano / Padre Stefano Gobbi / 02.10.92

Veja também:

O Espírito Santo virá

A tarefa dos Anjos

A função dos Anjos

Anjos do Senhor

“Senhor, que vosso Amor, Sofrimento e Sangue derramado,

não tenha sido em vão pelas nossas almas e

pelas almas dos Vossos Sacerdotes, Filhos Prediletos de Nossa Senhora.”

“Senhor, sou teu servo, filho de Tua Serva”.

Cuidado com os Espíritos Impuros:

“Assim fala o Amem: Aconselho-te a comprar de mim:

·         ouro purificado no fogo para que enriqueças,

·         vestes brancas para que te cubras e não apareça a vergonha da tua nudez,

·         e um colírio para que unjas teus olhos e possas enxergar.” Apocalipse 3,18

 

“Nisto ví que da boca do Dragão, da boca da Besta e da boca do falso profeta saíram três espíritos impuros, como sapos. São, com efeito, espíritos de demônios...

Eis que eu venho como um ladrão:

feliz aquele que vigia e conserva suas vestes,

para não andar nu e deixar que vejam a sua vergonha.

Apocalipse 16, 12-16

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Nossa Senhora de Knock / Padre Michel Rodrigue 15



Nossa Senhora de Knock / Padre Michel Rodrigue 15

Mensagem recebida por Padre Michel Rodrigue enquanto estava na capela no local das aparições de Nossa Senhora de Knock, na Irlanda, em 11 de outubro de 2019:

São João disse:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus. . . E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. . . mas seu próprio povo não o aceitou.

Mas para aqueles que o aceitaram, ele deu poder para se tornar filho de Deus. . .  João 1. “Eis que faço novas todas as coisas”, diz o Senhor! Ap 21, 5

Então Nossa Senhora disse:

Meus queridos filhos, estou aqui com vocês para avisá-los do que em breve acontecerá na Terra.

Eis aqui a presença de Meu Filho no altar do Seu sacrifício, prefigurado pelo cordeiro mencionado pelo profeta Isaías, o cordeiro do sacrifício para a salvação do mundo, o cordeiro do mistério pascal.

No mistério da Eucaristia também está presente o Corpo da Igreja:

como militante na jornada na Terra,

como sofrendo na purificação do purgatório e

como glorioso em Seus santos no céu.

A Igreja é o corpo místico de Cristo, presente no altar da cruz através do corpo de meu filho Jesus.

Como sua mãe, eu vim aqui com José, o patrono da Igreja e seu patrono.

Ele é seu defensor contra as más obras de todos os que traíram Jesus.

A figura de João, o evangelista, como apóstolo, também está aqui.

Ele foi escolhido por meu Filho Jesus, ao pé da cruz, para me proteger daquele dia até o dia da minha Assunção no céu.

Ele está aqui como representante de todos os meus filhos fiéis e consagrados.

Ele é a antítese de quem traiu Jesus.

José, eu e meu Filho, o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo, são seus modelos como a família fiel do Pai Eterno.

Abra os ensinamentos da Santa Tradição da Igreja em relação aos ensinamentos transmitidos por João, meu apóstolo adotivo.

Abra suas cartas e o livro do Apocalipse.

Em breve você entenderá o que foi escrito e visto em sua visão.

A igreja será sacrificada, como meu filho foi.

Meus fiéis sofrerão antes de entrar nos lugares preparados para você.

A cruz do cordeiro brilhará em breve para a Terra e para todas as pessoas.

Eles verão suas consciências quando virem o Cordeiro de Deus na cruz.

Será o dia da iluminação deles!

Minha atitude de oração, de pé e olhando para cima, e esperando de braços abertos, é pela chegada desse dia de advertência para todos.

A atitude de oração mostrada por José ensina à Igreja o que ela deve entender agora: orações, penitência. . . penitência.

O último apóstolo na Terra representa a hierarquia da Igreja nestes dias de confusão.

Somente os verdadeiros ensinamentos que remontam aos apóstolos e foram transmitidos através da Tradição viva da Igreja, revelada pelo Espírito Santo, que é a alma da Igreja, Seu santificador, o protegerá dos falsos profetas e dos falsos ensinamentos. do seu pecado.

Esse ensinamento pertence a Satanás, que se infiltrou no Corpo hierárquico místico de meu Filho na Terra.

Eu chamo os apóstolos do fim dos tempos.

Levante-se com corações humildes, com vidas obedientes e dedicadas ao meu Filho Jesus.

Ouça o que eu disse em La Salette e em Akita.

Está chegando a hora.

Esteja pronto.

Confesse seus pecados.

Vá ao confessionário, jejue e reze o Rosário que o salvará das armadilhas do diabo.

Orem aos seus anjos da guarda.

Venha e adore meu Filho no Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

Medite nas palavras de meu Filho, o Cordeiro de Deus, no Evangelho de João e em seu livro do Apocalipse.

No final, prometo a você o triunfo do Meu Imaculado Coração.

- Nossa Senhora de Knock

 

Pe. Michel recebeu uma segunda mensagem ao orar na mesma capela em Knock, Irlanda, 13 de outubro de 2019.

Desta vez, era de Jesus:

Eu sou o Cordeiro de Deus.

Em breve, abrirei os sete selos para cumprir a vontade de Meu Pai.

Quem quer que o acolhe, Me acolhe e a bênção de Meu Pai.

Quando você vê o Anfitrião, vê Meu Corpo e Meu Sangue.

Você vê Meu rosto que é apresentado a você como pão branco e brilhante.

Eu sou o Pão da Vida para todos.

Quem comerá este Pão da Vida ressuscitará no último dia.

Uma grande escuridão está vindo agora sobre o mundo: uma escuridão do pecado, da miséria, de Satanás, que tentará desfigurar a face do Meu Corpo, que é a Minha Igreja.

Ele tentará desfigurar Meu rosto branco na Santa Eucaristia com um sacrilégio abominável.

Nesse momento, o tempo acabará.

Um grande desastre envolverá o mundo, como nunca antes.

Roma cairá.

Satanás nunca prevalecerá sobre o meu justo e o meu fiel remanescente.

O sinal estará no céu, e a mão de Meu Pai derrotará as trevas de Satanás, seu falso profeta e seus acólitos deslizantes.

O selo será quebrado.

Prepare-se para este dia.

Minha Mãe protegerá os Meus em todos os lugares nos refúgios preparados por seu Imaculado Coração.

Meu filho, Michel, você terá grandes responsabilidades em seus ombros.

Saibam que o fardo será leve, e a alegria de Meus filhos será grande.

"Felizes os que são chamados para a ceia do Cordeiro."

Eu os prezo e os protejo.

Eu os nutro.

Eu os abençoo.

Eles não temerão a pestilência do inimigo.

Seu Salvador, seu amigo,

Jesus

 

Para continuar no próximo post do "retiro virtual" com o Padre Michel, clique aqui:

Consagração de sua casa como Refúgio / Padre Michel Rodrigue 16

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Aridez espiritual - Consolações

A alma que se dá a Deus experimenta a principio, consolações sensíveis. O Senhor procura atraí-la e desprende-la dos prazeres terrenos, para que ela vá se desapegando das criaturas e unindo-se a ele. Contudo, pode unir-se a ele seguindo um caminho errado, levada mais pelo gosto das consolações espirituais, do que por uma verdadeira vontade de agradar a Deus. Engana-se, pensando que tanto mais o ama, quanto mais gosto encontra nas suas devoções. Daí provém inquietar-se e afligir-se ao ser perturbada nos exercícios de piedade que lhe davam prazer, quando deve fazer outras coisas por obediência, ou por caridade, ou por obrigações do seu próprio estado.

É um defeito universal de nossa fraca humanidade procurar em tudo a própria satisfação. Não encontrando nestes exercícios o prazer desejado, deixa-os ou ao menos os reduz. Reduzindo-os de dia para dia, finalmente deixa todos. Essa desgraça acontece a muitas almas. Chamadas por Deus ao seu amor, começam a marchar no caminho da perfeição e avançam enquanto duram as consolações espirituais. Mas depois, quando elas acabam, abandonam tudo e voltam a vida antiga. É preciso persuadir-nos de que o amor de Deus e a perfeição não consistem em sentir consolações, mas em vencer o amor próprio e fazer a vontade de Deus.
- Diz São Francisco de Sales: “Deus é tão digno de nosso amor quando nos consola e quando nos faz sofrer”

            No tempo das consolações não é grande virtude deixar os gostos sensíveis e suportar as ofensas e contrariedades. No meio das alegrias a alma suporta tudo. Essa paciência nasce, muitas vezes, mais das consolações do que da força do verdadeiro amor a Deus.
            Por isso, com a finalidade de consolidá-la na virtude, o Senhor retira-se e lhe recusa esses gostos sensíveis para destruir todo o apego ao amor próprio que se alimentava com tais satisfações.

            Primeiro sentia gosto em fazer atos de oferecimento, confiança, amor; depois que secou a fonte de consolações, faz estes atos com frieza e dificuldade. Fica aborrecida com os exercícios mais piedosos, com a oração, com a leitura espiritual, com a comunhão. Só vê trevas e temores e tudo lhe parece perdido. Reza, torna a rezar, e se aflige por lhe parecer que Deus não a ouve.

            Vejamos na prática o que devemos fazer da nossa parte. Quando o Senhor, por sua misericórdia, nos consola com visitas consoladoras e nos faz sentir a presença de sua graça, não é bom rejeitar essas consolações, como queriam alguns falsos místicos. Aceitemo-las agradecidos, mas  cuidemos em não nos determos nelas com complacências. A isto São João da Cruz chama de ‘gula espiritual’, o que é defeito e não agrada a Deus.
            Esforcemo-nos em afastar de nossa alma a complacência sensível nessas consolações. Cuidemos especialmente em não pensar que ele usa de tais finezas conosco, porque nos comportamos com ele de forma melhor que os outros. Esse pensamento de vaidade obrigaria o Senhor a retirar-se inteiramente de nós e a nos deixar em nossa miséria. Devemos agradecer a Deus porque essas consolações espirituais são dons que ele nos fez, bem maiores do que todas as riquezas e honras temporais. Não sejamos famintos em saborear essas satisfações sensíveis, mas sejamos humildes, tendo diante dos olhos os pecados da vida passada.
            É preciso crer que essas consolações são pura consequência da bondade de Deus. Talvez o Senhor antes nos conforte para que depois soframos com paciência alguma grande tribulação que deseja nos enviar.
            Por isso, ofereçamo-nos para suportar qualquer sofrimento externo ou interno, enfermidades, perseguições, aridez espiritual, dizendo-lhe: “Meu Senhor, aqui estou. Fazei de mim e de tudo o que tenho o que vos aprouver. Dai-me a graça de vos amar e de cumprir perfeitamente a vossa vontade, e nada mais vos peço!


A Prática de amor a Jesus Cristo Cap XVII– Santo Afonso Maria de Ligório

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Aridez espiritual

Aridez espiritual
            Diz São Francisco de Sales: “É um erro querer medir a nossa devoção através das consolações que experimentamos. A verdadeira piedade no caminho de Deus consiste em ter uma vontade resoluta de fazer tudo que lhe agrada”.
            Deus une a si as almas que ele mais ama através da aridez espiritual. O que nos impede a verdadeira união com Deus é o apego as nossas inclinaçõesdesordenadas.
Por isso, quando Jesus quer atrair uma alma ao seu perfeito amor, procura desprende-la de todos os apegos aos bens criados. Assim a vai afastando dos bens temporais, dos prazeres mundanos, das coisas, das honrarias, dos amigos, dos parentes, da saúde física. Por meio dessas perdas, desgostos, desprezos, mortes e enfermidades, ele a vai desprendendo de todas as coisas criadas para leva-la a colocar no seu Criador todas as suas afeições.

Para afeiçoá-la aos bens espirituais, Deus lhe faz experimentar muitas consolações sensíveis.
Por isso, a alma procura desapegar-se dos prazeres sensuais e até mesmo praticar mortificações. É preciso que seu diretor espiritual a ajude negando-lhe licença de fazer mortificações, ao menos em tudo que pede. Levada por esse entusiasmo sensível, poderia facilmente prejudicar a saúde.

É tática do demônio, vendo uma alma dar-se a Deus e percebendo que Deus a consola como o faz com principiantes, procura fazer-lhe perder a saúde com penitências indiscretas. Depois, vindo as doenças, poderá deixar não só as penitências mas também a oração, a comunhão e todos os exercícios piedosos e voltar a vida antiga.
Por isso, o diretor espiritual desse ser muito sóbrio em conceder licenças a essas almas que começam a vida espiritual e procuram penitências. Procure exorta-las a se mortificarem interiormente, sofrendo com paciência os desprezos e contrariedades, obedecendo aos superiores, refreando a curiosidade dos olhos e dos ouvidos e outras coisas semelhantes. Diga-lhes que depois, quando tiverem adquirido o costume de praticar essas mortificações interiores, poderão praticar as mortificações externas.

É claro o erro daqueles que dizem que as mortificações externas de nada ou pouco servem. Está fora de dúvida que as mortificações internas são necessárias a perfeição. Mas nem por isso deixam de ser necessárias também as externas.
Dizia São Vicente de Paulo que quem não pratica as mortificações externas, não será mortificado nem externa nem internamente. E acrescentava São João da Cruz que não se deve dar crédito a um diretor espiritual que despreza as mortificações externas, ainda que ele fizesse milagres.


A Prática de amor a Jesus Cristo Cap XVII– Santo Afonso Maria de Ligório

domingo, 1 de junho de 2014

Nas tentações, oração constante

Oração constante
            Entre todos os remédios contra as tentações, o mais eficaz e mais necessário, o remédio dos remédios, é suplicar a Deus o seu auxilio e continuar a pedir enquanto durar a tentação.
            Não é raro que o Senhor destine a vitória não na primeira oração, mas sim na segunda, na terceira ou na quarta. É preciso que nos convençamos de que da oração depende todo o nosso bem. Da oração depende a nossa mudança de vida, o vencer das tentações; dela depende conseguirmos o amor de Deus, a perfeição, a perseverança e a salvação eterna.

Tentação constante, oração constante
            Parece enfadonho de tanto recomendar a importância e a necessidade de recorrer a Deus continuamente pela oração. Mas, não me parece ter falado demais, mas ainda bem pouco.
            Sabemos que somos tentados todos os dias, todas as noites, e que o demônio não perde ocasião para nos fazer cair.
Sabemos que, sem a ajuda de Deus, não temos força para resistir aos assaltos do demônio.
Por isso mesmo disse São Paulo: “Revesti-vos da armadura de Deus para que possais resistir as ciladas do demônio. Porque nós não temos de lutar somente contra a carne e o sangue, mas sim contra os príncipes e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso” Efésios 6, 11-12.
            Quais são essas armas que São Paulo nos manda revestir para resistir ao demônio? Ei-las: “Orando continuamente em espírito com toda a perseverança” Efésios 6, 18. Essas armas são as orações continuas e fervorosas a Deus para que nos socorra e para que não sejamos vencidos.
            A Sagrada Escritura, tanto no Antigo como no Novo testamento, exorta-nos a orar: “Invoca-me e eu te livrarei. Recorre a mim e eu te ouvirei. É preciso orar sempre sem desfalecer. Pedi e vos será dado. Vigiai e orai. Orai sem cessar” (Salmo 49, 15; Jeremias 33,3; Lucas 18,1; Mateus 7,7; 26,61; I Tessalonicenses 5, 17).

            Desejaria que todos os pregadores nada recomendassem tanto aos seus ouvintes como a oração e que os confessores nada aconselhassem com mais calor aos seus penitentes do que a oração. Quereria que os que escrevem livros espirituais falassem mais abundantemente da oração.
Mas eu me lamento e penso até que seja um castigo de nossos pecados o fato de tanto pregadores, confessores e escritores falarem tão pouco da oração. Não há duvida de que as pregações, as meditações, as comunhões, as mortificações ajudam a vida espiritual. Mas se, quando vêm as tentações, não nos recomendamos a Deus, apesar de todas as pregações, meditações, comunhões, penitências e de todos os bons propósitos feitos, acabaremos por cair.
Portanto, se queremos nos salvar, rezemos sempre.
Recomendemo-nos Jesus Cristo, nosso Redentor, especialmente no momento da tentação.
Peçamos-lhe não só a perseverança final, mas também a graça de rezar sempre.
Recomendemo-nos também a Mãe de Deus que é a dispensadora das graças como diz São Bernardo: “Busquemos a graça e busquemo-la por meio de Maria”.
O mesmo São Bernardo nos diz que é da vontade de Deus que não recebamos nenhuma graça, sem que passe pelas mãos de Maria: “Deus quis que não recebêssemos nada que não passasse pelas mãos de Maria”.

Oração
            Jesus, meu Redentor, espero pelo vosso sangue que me tenhais perdoado todas as ofensas que vos fiz. Espero um dia ir vos dar graças no paraíso,  cantarei eternamente as misericórdias do Senhor”.
            Vejo que na minha vida passada, cai e tornei a cair miseravelmente, porque me descuidei de vos pedir a perseverança na vossa graça. É essa perseverança que vos suplico: “Não permitais que eu me separe de vós”. Faço o propósito de pedir sempre, especialmente quando me vir tentado a vos ofender. Jesus, assim proponho e prometo.
            Mas de que me servirá esse propósito e essa promessa, se não me derdes a graça de recorrer a vós? Pelos méritos de vossa paixão, concedei-me a graça de sempre me recomendar a vós em todas as minhas necessidades.
            Maria, minha mãe e minha Rainha, pelo amor que tendes a Jesus Cristo, eu vos suplico que me alcanceis a graça de recorrer sempre a vosso Filho e a vós mesma em toda a minha vida.


A Prática de amor a Jesus Cristo Cap XVII– Santo Afonso Maria de Ligório

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Nas tentações, recorrer a Deus

Recorrer a Deus
            Oxalá todos os homens recorressem a Deus, quando são tentados a ofendê-lo; certamente nenhum o ofenderia. Caem os coitados porque, impelidos pelos seus maus instintos, preferem perder o supremo bem, que é Deus, só para não perderem uns breves prazeres.
            A experiência mostra de sobra que quem recorre a Deus nas tentações, não cai; quem não recorre, cai, especialmente nas tentações impuras. Salomão bem sabia de usa impossibilidade de ser casto, se Deus não o ajudasse. Por isso recorria a Deus nas tentações: “Consciente de que não posso ser continente, a não ser por Dom de Deus, voltei-me para o Senhor e o invoquei do fundo do coração” Sabedoria 8, 21.

            Nessas tentações impuras –e o mesmo acontece com as tentações contra a fé- não é boa tática a gente se pôr a lutar com elas frente a frente, cara a cara. Quando elas começam, é preciso procurar afastá-las indiretamente, fazendo um ato de amor a Deus ou um ato de arrependimento dos pecados; ou então procurar uma ocupação diferente que nos distraia. Logo que percebemos qualquer pensamento mau, é preciso procurar livrar-se dele. Fechar-lhe, por assim dizer, a porta na cara e negar-lhe a entrada na alma sem perguntar-lhe o que diz ou o que pretende. Essas sugestões más devem ser apagadas logo como se faz com uma faísca que de repente salta do fogo sobre nós.

A tentação começa nos sentidos
            Se a tentação impura já entrou na alma e mostrou o que desejava, provocando os primeiros movimentos nos sentidos, deve-se fazer o que aconselha São Jerônimo: “Logo que sentimos os movimentos da carne, comecemos a gritar: Senhor: sede o meu auxilio”. Invoquemos os santíssimos nomes de Jesus e Maria que têm uma força particular para dissipar essa espécie de tentações.
            Diz São Francisco de Sales que as crianças, vendo o lobo correm logo para os braços do pai ou da mãe, pois ali se sentem seguras. Assim devemos fazer: recorrer imediatamente a Jesus e a Maria. 
Eu digo: ‘recorrer imediatamente’, sem dar atenção a tentação nem discutir com ela.

Quais os meios que devemos usar para vencer as tentações
            Se mesmo assim a tentação continua a nos molestar, cuidemos em não nos inquietar e não nos irritar contra ela. De tal inquietação o demônio poderia aproveitar-se para nos fazer cair.
            Devemos nos conformar com humildade a vontade de Deus que permite a tentação.
            Devemos rezar: “Senhor, mereço ser atormentado por esses pensamentos, como castigo pelas ofensas que já vos fiz. Vós me socorrereis e me livrareis deles”.
            Por isso, se a tentação continua a perseguir-nos, continuemos a invocar os nomes de Jesus e Maria. Enquanto a tentação persiste nos atormentando, convém renovar o propósito feito a Deus de antes sofrer todas as dores e morrer do que ofendê-lo; ao mesmo tempo não se deve deixar de lhe pedir ajuda. Se a tentação é tão forte que nos vemos em grande perigo de consentir, é preciso redobrar o fervor na oração, recorrer ao Santíssimo Sacramento, ajoelhar-se diante de um crucifixo ou imagem de Nossa Senhora e rezar com ardor, gemer e chorar pedindo ajuda.
            É verdade que Deus está pronto a ouvir a quem o invoca, sendo ele e não o nosso empenho que nos dará forças para resistir. Contudo, as vezes o Senhor quer de nós esse esforço e depois ele supre a nossa fraqueza, dando-nos a vitória.

            É bom também, na hora da tentação, fazer o sinal da cruz. É bom manifestar a tentação ao diretor espiritual.
            Dizia São Felipe Neri que a tentação revelada já é vencida pela metade.
            É bom notar que é doutrina seguida comumente pelos teólogos, mesmo rigoristas, que as pessoas que levaram durante muito tempo uma vida devota, tementes a Deus, quando ficam em dúvida se consentiram em algum pecado grave, devem ficar tranquilas de que não perderam a graça de Deus.
            É moralmente impossível que a vontade, confirmada por muito tempo nos bons propósitos, mude num momento e consinta num pecado mortal, sem perceber claramente. A razão disso é que o pecado mortal é um monstro tão horrível, que não pode entrar numa alma que por longo tempo o detestou, sem se fazer claramente conhecido.
            Dizia Santa Tereza: “Ninguém se perde sem saber, ninguém é enganado sem querer ser enganado”.

Tentação consentida e tentação não consentida
            Para algumas pessoas de consciência delicada e virtuosa, mas tímidas e molestadas pelas tentações, especialmente contra a fé ou a castidade, será conveniente, as vezes, que o diretor espiritual lhes proíba revelar ou falar dessas tentações.
            Para falar delas, terão de refletir como vieram aqueles pensamentos, se houve prazer, complacência ou consentimento. Dessa forma, refletindo muito, esses maus pensamentos causam maior impressão e mais inquietação.
            Quando o confessor está moralmente certo de que a pessoa não consentiu nesses pensamentos, é melhor obriga-la a não falar delas. Assim fazia Santa Joana de Chantal. Tendo ela passado muitos anos agitada por grandes tentações, sabendo que não tinha consentido nelas, nunca se confessou disso, mas continuou seguindo a orientação de seu diretor espiritual. Ela diz: “Nunca tive conhecimento claro de ter consentido”. Dizendo isso, dá a entender que lhe restava algum escrúpulo por causa daquelas tentações, mas se tranquilizava com a obediência ao diretor que lhe proibia confessar tais dúvidas. No mais, falando de modo geral, é muito bom manifestar as tentações ao confessor.


A Prática de amor a Jesus Cristo Cap XVII– Santo Afonso Maria de Ligório

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Tentações

O amor a Jesus Cristo nas tentações
Os sofrimentos que mais afligem nesta vida as pessoas que amam a Deus, não são a pobreza, as doenças, as injurias ou as perseguições, mas sim as tentações e tribulações espirituais.
            Quando uma alma goza da presença amorosa de Deus, todas as dores, os desprezos e os maus tratos, em vez de afligirem, consolam, pois são motivos para oferecer a Deus alguma prova de seu amor. São lenha  que ateia mais fogo. Mas, o ver-se tentada a perder a graça de Deus ou o sentir o temor na desolação de já tê-la perdido, são esses os sofrimentos mais amargos para quem ama de coração a Jesus Cristo.
Mas o próprio amor a Deus lhe dá forças para sofrer com paciência e continuar no caminho da perfeição. E quanto progridem as almas no caminho da perfeição com essas provas, que deus costuma exigir-lhes de seu amor!

As tentações
Para quem ama a Jesus Cristo não há sofrimento pior que as tentações. Todos os outros sofrimentos o estimulam a se unir mais com Deus, quando aceitos com generosidade. As tentações, porém, impelem a pecar, a separar-se de Jesus Cristo e, por isso, são muito mais amargas do que todos os outros sofrimentos. É preciso, porém, notar que todas as tentações, que impelem para o mal, não vêm de Deus, mas do demônio ou das más inclinações:
“Deus é incapaz de tentar para o mal, e ele não tenta ninguém” Tiago 1,13
            Contudo, ele permite, as vezes, que as almas, que lhe são mais caras, sejam tentadas mais fortemente.
1. Em primeiro lugar, para que conheçam melhor a sua fraqueza e a necessidade que têm do auxilio de Deus para não caírem. Quando uma pessoa se encontra interiormente consolada por Deus, pensa ser capaz de vencer todas as tentações e realizar qualquer trabalho pela gloria de Deus. Vendo-se, porém, duramente tentada, a beira do precipício, e quase caindo, é então que reconhece melhor sua miséria e sua incapacidade para resistir, se Deus não a socorre. Foi isso justamente o que aconteceu a São Paulo que escreveu: “É para que a grandeza das revelações não me ensoberbecesse, foi-me dado o estímulo da minha carne, um anjo de satanás, que me esbofeteie” IICor 12,7

            2. Em segundo lugar, Deus permite as tentações para que vivamos mais desapegados deste mundo, e desejemos mais ardentemente ir vê-lo no céu.
            As pessoas de bom coração, vendo-se tentadas nesta vida dia e noite, enfastiam-se de viver e dizem: “Ai de mim, meu desterro se prolonga”, suspirando pela hora em que poderão dizer: “A cadeia se rompeu, e nós ficamos livres” Salmo 119, 5. A alma quer voar para Deus, mas enquanto vive neste mundo, está presa por uma cadeia que a segura aqui na terra, onde é atormentada continuamente pelas tentações. Essa cadeia não se rompe senão com a morte. Por isso, as almas que amam o Senhor suspiram pela morte que as tire do perigo de perderem a Deus.

            3. Em terceiro lugar, Deus permite as tentações para nos enriquecer com méritos como disse o anjo a Tobias: “Porque eras aceito a Deus, foi necessário que a tentação te provasse” Tobias 12, 13.
            Portanto, não devemos recear de estar sem a graça de Deus pelo fato de sermos tentados; pelo contrário, então devemos esperar ser mais amados por Deus.
É engano do demônio o fazer certas almas fracas acreditarem que as tentações são pecados que mancham  a alma. Não são os maus pensamentos que fazem perder a Deus, mas sim os maus consentimentos. Por fortes que sejam as tentações do demônio, por mais vivas que sejam as imaginações impuras assaltando o nosso espírito, se nós não a queremos, não mancham a alma, mas a tornam mais pura, mais forte e mais querida por Deus.
- Diz São Bernardo que todas as vezes que vencemos as tentações, ganhamos um novo mérito: “Quantas vezes vencemos, tantas vezes somos coroados”.
            Não nos espantemos com o mau pensamento que não sai da nossa cabeça e continua a nos atormentar; basta que o detestemos e procuremos afastá-lo.

A Prática de amor a Jesus Cristo Cap XVII– Santo Afonso Maria de Ligório

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Deus nos ama

Deus nos ama
17. Por que Deus nos carrega de tantas cruzes e parece se alegrar vendo-nos atribulados, desprezados, perseguidos e maltratados no mundo?
Por acaso é um tirano tão cruel que gosta de nos ver sofrer?
Não. Deus não é um tirano nem é cruel; ele é todo bondade e amor para conosco. Basta dizer que nos amou até morrer por nós.
Ele se alegra, sim, vendo-nos sofrer, mas para o nosso bem. Deseja que, sofrendo nesta vida, fiquemos livres das penas que deveríamos sofrer na outra vida por causa das nossas dividas com a justiça de Deus.
Ele se alegra, sim, para que não nos apeguemos aos prazeres sensíveis desta vida.
Certas mães colocam algo de amargo em seus seios quando querem desmamar o filhinho. Deus torna amargos os prazeres da vida para que, sofrendo com paciência e resignação, lhe demos alguma prova de nosso amor.
Alegra-se finalmente, por adquirirmos maior glória no céu com os nossos sofrimentos. Por esses motivos, todos eles de bondade e amor, o Senhor se alegra vendo-nos sofrer.

18. Para praticarmos bem a resignação em todas as tribulações que nos acontecem, é necessário persuadir-nos de que todos os sofrimentos vêm das mãos de Deus, diretamente ou indiretamente através dos homens.
Quando nos virmos atribulados, devemos agradecer ao Senhor e aceitar alegremente tudo o que ele nos manda, porque tudo é para o nosso bem: “Todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus” Romanos 8,28.
Quando nos aflige alguma tribulação, devemos pensar no inferno, por nós merecido. Todo o sofrimento em comparação com o inferno, será sempre imensamente menor.
Mas, para sofrer com paciência todas as dores, todos os desprezos e todas as contrariedades, requer-se a oração mais do que qualquer consideração. A ajuda divina que nos será dada depois da oração, comunicar-nos-á a força que não tínhamos.
Assim fizeram os santos, recomendaram-se a Deus e venceram todos os sofrimentos e perseguições.

Oração
            Senhor, estou convencido de que, sem sofrer com paciência, não posso ganhar o céu. “Dele é que vem –dizia Davi- a minha paciência” Salmo 61,6. O mesmo quero dizer.
            Vós me dareis a paciência para sofrer. Quero aceitar com tranquilidade todas as tribulações, mas depois, quando elas chegam, encho-me logo de tristeza de desânimo.
            Dessa forma sofro sem méritos e sem amor, porque não sei ainda sofrer par vos agradar.
            Por isso, meu Jesus, eu vos peço, pelos merecimentos de vossa paciência, a graça de sofrer todas as cruzes por vosso amor.
            Eu vos amo de todo o meu coração, divino Redentor.
Eu vos amo, meu sumo bem;
Amo-vos, Jesus, digno de um amor infinito.
Arrependo-me de todos os desgostos que vos tenho dado.
Prometo-vos aceitar com resignação todos os sofrimentos de que me enviardes; mas espero de vós o socorro para sofrer com paciência, especialmente as dores da minha agonia e da minha morte.
Maria, minha Rainha, alcançai-me uma verdadeira resignação em tudo o que ainda tenha de sofrer na vida e na morte.

Amém.
A Prática de amor a Jesus Cristo Cap XIV– Santo Afonso Maria de Ligório