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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Deixa que seja Eu a agir

 

Deixa que seja Eu a agir

- Porque te inquietas?

- Porque te preocupas?

- Estar Consagrado a Mim significa deixar-se conduzir por Mim.

- Significa ter Confiança em Mim, como uma Criança que se deixa conduzir pela Mãe.

- Deves, portanto, habituar-se:

a um outro modo de pensar,

a um outro modo de agir.

- Não te compete a ti pensar o que é para o teu bem;

não faças projetos, nem construas o amanhã, porque, como vês, Eu atiro tudo pelos ares e tu depois ficas mal.

- Porque não queres confiar em Mim?

- Deixa que seja Eu a construir –momento a momento- o teu futuro.

- Quanto a ti, basta que digas precisamente como uma Criança:

“Mãe, confio em Ti, deixo-me conduzir por Ti.

Diz-me: o que devo fazer?”

- Deixa também que seja Eu a agir através de ti.

- Para isso, como é necessário morreres para ti mesmo.

- Por isso, é preciso que te habitues a sofrer, a não ser compreendido, a ser ignorado, a ser também um pouco espezinhado.

- Como isto te faz sofrer, não é verdade?

- Mas quando falares aos Sacerdotes acerca do Movimento, da Consagração:

de como devem se entregar totalmente a Mim,

de como devem confiar em Mim,

então eles poderão olhar para a tua pessoa e tu próprio serás para eles um bom exemplo.

- Não sofras demasiado, filho.

- Eu te amo, te amo muito.

MSM-Movimento Sacerdotal Mariano / Padre Stefano Gobbi / 21.07.73

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Livro de Nossa Senhora

Minhas Mensagens

Minha Propriedade

 “Senhor, que vosso Amor, Sofrimento e Sangue derramado,

não tenha sido em vão pelas nossas almas e

pelas almas dos Vossos Sacerdotes, Filhos Prediletos de Nossa Senhora.”

"Senhor, sou teu servo, filho da Tua Serva"

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Estou aos pés da Cruz

 


Estou aos pés da Cruz

- Olhai, filhos prediletos, para a vossa Mãe Dolorosa, aos pés da Cruz, na qual Jesus está suspenso, agoniza e morre.

- A partir deste momento, o meu lugar é este aos pés da Cruz de cada um dos meus filhos.

- Estou aos pés da Cruz do meu primeiro filho predileto, o Papa João Paulo II, que ama, reza e sofre por causa da agonia que a Igreja está vivendo, e pela sorte que espera a pobre humanidade.

- Não vedes como já chegou o flagelo da guerra e quantas vitimas inocentes serão chamadas a suportar sofrimentos indizíveis?

- Estou aos pés da Cruz que levam os Bispos que permanecem fiéis, enquanto aumenta o número daqueles que querem percorrer o seu próprio caminho, sem escutar e seguir o Santo Padre, que Jesus colocou como fundamento da sua Igreja;

eles preparam uma outra Igreja, separada do papa, que provocará de novo o escândalo de uma dolorosa Divisão.

- Estou aos pés da Cruz que levam hoje os Sacerdotes, meus filhos prediletos, que são chamados a viver na absoluta fidelidade a Jesus, ao Seu Evangelho e a Sua Igreja.

- Frequentemente, eles tem de suportar o martírio interior de se sentirem incompreendidos, escarnecidos e até marginalizados pelos seus próprios confrades.

- Estou aos pés da Cruz das Almas Consagradas que querem viver na fidelidade a sua Consagração, opondo-se ao espírito do mundo, que já entrou em tantas casas religiosas, trazendo com ele a tibieza, a impureza, o relaxamento dos costumes e a procura de todos os prazeres mundanos.

- Estou aos pés da Cruz de tantos fiéis que acolheram, com coragem e generosidade, o meu convite.

- No meio de tantas dificuldades, eles esperam e tem confiança em Mim;

no meio das Grandes Provações, rezam com fé e perseverança;

no meio de inúmeros sofrimentos, oferecem em espírito de reparação aquilo que o Senhor dispõe na sua existência.

- Estou aos pés da Cruz de meus pobres filhos pecadores, para os conduzir ao caminho do arrependimento e da reconciliação,

dos doentes, para lhes dar conforto e resignação,

dos que se extraviaram, para os conduzir pelo caminho da salvação,

dos moribundos, para os ajudar a morrer na Graça e no amor de Deus.

- Oh! Nestes Tempos, em que aumentam os Sofrimentos e Tribulações, sou como nunca a vossa Mãe dolorosa e consoladora.

- Estou presente aos pés da vossa Cruz, da Cruz de todos os meus filhos, para sofrer e rezar convosco.

- Ofereço ao Pai, convosco, a preciosa contribuição da vossa colaboração pessoal na Redenção realizada pelo Meu Filho Jesus.

MSM-Movimento Sacerdotal Mariano / Padre Stéfano Gobbi / 15.09.83

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A Obra de Corredenção

Divisão, terceiro sinal

Quando o Filho do Homem voltar

“Senhor, que vosso Amor, Sofrimento e Sangue derramado,

não tenha sido em vão pelas nossas almas e

pelas almas dos Vossos Sacerdotes, Filhos Prediletos de Nossa Senhora.”

domingo, 17 de setembro de 2017

Da Prisão a Flagelação de Jesus


A prisão e o sacrário
- Contempla-Me na prisão onde passei grande parte da noite.
- Ali vinham os soldados insultar-Me com palavras e ações, escarnecendo de Mim, ultrajando-Me, batendo-Me na cabeça e sobre o Meu Corpo.
- Fartos de Mim, abandonaram-Me sozinho e amarrado, num lugar úmido e escuro.
- Deram-Me uma pedra por assento onde o Meu Corpo dolorido se sentiu transido de frio.
  • Comparemos aqui a prisão com o coração daqueles que Me recebem.
- Na prisão, passei apenas parte da noite.
  • Mas no sacrário... quantos dias, quantas noites?
- Na prisão fui insultado e maltratado pelos soldados que eram Meus inimigos.
  • Mas no sacrário... quantas vezes não o sou por almas que Me chamam de Pai... mas não se comportam como filhos.
- Na prisão, sofri frio e sono, fome e sede, tristeza, vergonha e abandono.
  • E vi, no decorrer dos séculos, tantos tabernáculos onde Me faltaria o abrigo do amor... tantos corações gelados que seriam para Meu Corpo chagado, como a pedra da prisão.
Senhor, quero suavizar sua tristeza
- E quantos dias esperarei que tal alma ou tal outra, venha visitar-Me no sacrário e Me receber no seu coração.
- Quantas noites passadas a desejar sua vinda:
  • Mas ela se deixa dominar por suas ocupações, por sua moleza, pelo medo de prejudicar a saúde... e não vem.
  • Esperava-te para saciar Minha sede e para consolar Minha tristeza, alma querida, e não vieste.
- Quantas vezes terei fome das almas, de sua fidelidade, de sua generosidade:
  • Saberão elas aplacar esta fome ardente com aquela pequenina vitória sobre si mesmas, ou aquela leve mortificação?
  • Saberão aliviar Minha tristeza com sua ternura e compaixão?
  • Saberão, quando vier um momento mais doloroso a natureza?
  • Saberão, quando tiverem que suportar um sofrimento qualquer?
  • Um esquecimento?
  • Um desprezo?
  • Uma mágoa de coração ou de família?
- E com tudo isso, dizer-Me do fundo da alma:
“Isto será para suavizar Vossa tristeza,
para Vos acompanhar na Vossa Solidão”
- Ah, se soubessem unir-se a Mim com que paz atravessariam a dificuldade, como sua alma sairia dali fortificada e como Meu Coração seria consolado e aliviado.

Minha prisão e a frieza das almas
- Na prisão quantas palavras obscenas proferidas contra Mim Me haviam de cobrir de confusão:
  • E essa dor aumentava ainda lembrando-Me que semelhantes palavras cairiam um dia de lábios muito amados.
- Na prisão, enquanto aquelas mãos imundas descarregavam pancadas e bofetões sobre Meu Corpo:
  • Eu Me via espancado e esbofeteado pelas almas que Me receberiam sem delicadeza e Me acabrunhariam sob golpes repetidos de pecados habituais e consentidos.
- Depois, quando Me empurraram e Me deixaram cair por terra, atado e sem forças:
  • Vi muitas almas preferirem suas satisfações e acorrentarem-Me por suas ingratidões , repelirem-Me e renovarem Minha dolorosa queda, prolongando Minha solidão.
- Ó almas escolhidas, aproximai-vos de Vosso Esposo na prisão, comtemplai-O durante essa noite de padecimento:
  • E vede-A prolongar-se na solidão de tantos sacrários e na frieza de tantas almas.
Quereis dar-Me prova de vosso amor?
- Quereis dar-Me prova de vosso amor?
  • Deixai-Me vosso coração para que dele faça minha prisão.
  • Atai-Me com as cadeias do vosso amor.
  • Cobri-Me com as vossas delicadezas.
  • Saciai-Me a fome com a vossa generosidade.
  • Dai-Me de beber com o vosso zelo.
  • Consolai a Minha tristeza com a fidelidade de vossa companhia.
  • Tirai-Me esta dolorosa confusão com a vossa pureza e a vossa reta intenção.
- Quereis que Eu repouse em vós?
  • Preparai-Me um leito com vossos atos de mortificação.
  • Sujeitai a vossa imaginação.
  • Acalmai os tumultos de vossas paixões.
- Então, no silêncio de vossa alma, dormirei tranquilo e ouvireis a Minha Voz dizendo suavemente:
v  Ó Esposa Minha, que és agora o Meu Descanso, Eu serei o teu na eternidade.
v  Já que, com desvelo e amor, Me guardaste na prisão do teu coração, Minha recompensa não terá limites e nunca te arrependerás dos sacrifícios que por Mim fizeste durante a tua vida.

- Paremos aqui, Josefa, deixa-Me passar o dia de hoje na prisão de tua alma. Haja nela profundo silêncio para escutares as Minhas Palavras e responderes aos desejos que Eu te confiar.

Almas fieis imitadoras de Meu Coração
- Depois de ter passado a maior parte da noite na prisão úmida, escura e sórdida.
- Depois de ter suportado os ultrajes e os escárnios da criadagem curiosa acerca do que Me sucederia, quando já Meu Corpo estava exausto com tantos tormentos...
- O que Me consumia de amor e avivava em Mim nova sede de dores, era o pensamento de muitas almas que Eu atrairia mais tarde a seguir-Me os passos.
- Eu as via, como fiéis imitadoras de Meu Coração, aprendendo de Mim, não apenas mansidão, paciência e serena aceitação dos sofrimentos e dos desprezos, mas até o amor daqueles que as perseguiriam.
- Vi-as chegarem ao ponto de se sacrificar por eles, como Eu próprio Me sacrificava pela salvação dos que Me maltratavam.
- Vi-as:
  • amparada por Minha Graça,
  • responderem ao apelo Divino,
  • abraçarem o estado de perfeição,
  • mergulharem na solidão,
  • amarrarem-se, elas mesmas nas cadeias do amor,
  • renunciarem a tudo que amavam legitimamente,
  • suportarem com coragem as revoltas da sua própria natureza,
  • deixarem-se julgar,
  • aceitarem desprezos, difamação e mesmo serem tidas por loucas,
  • guardarem, apesar de tudo, seu coração, intimamente unido a seu Deus e Senhor.
- Assim, no meio de ultrajes e tratamentos infames, o Amor Me consumia em desejos de cumprir a Vontade do Pai e Meu coração, estreitamente unido a Ele nas horas de solidão e de dor, oferecia-se para reparar a Sua Glória.

- Também, almas religiosas que permaneceis na prisão escolhida pelo Amor e que, mais de uma vez passais aos olhos das criaturas, por inúteis e quiça prejudiciais... não temais:
  • Nas horas de solidão e dor deixai revoltar-se o mundo contra vós.
  • Una-se vosso coração mais intimamente a Deus, único Objeto de vosso amor.
  • Reparai Sua Glória ultrajada por tantos pecados.
Amanheceu
- Ao amanhecer do dia seguinte, Caifaz ordenou que Me conduzissem a Pilatos a fim de que pronunciasse contra Mim a sentença de morte.
- Pilatos interrogou-Me com sagacidade, com a esperança de descobrir um verdadeiro motivo de condenação, mas, não encontrando nenhum, sentiu logo a consciência perturbada a vista da injustiça que ia cometer. Então, para se desembaraçar de Mim, mandou-Me conduzir a Herodes.

Alma de Pilatos
- Pilatos é o tipo das almas que, balouçadas entre os impulsos da Graça e os das paixões, se deixam dominar pelo respeito humano e pelo amor excessivo de si mesma.
- Encontram-se diante de tentação ou de ocasião perigosa? Tornam-se voluntariamente cegas e raciocinam até ficarem persuadidas de que não há nisso mal nem perigo algum... que elas tem juízo bastante para decidir, e não precisam de conselho... receiam parecer ridículas aos olhos do mundo... faltam de energia para vencerem a si próprias e, passando ao lado da graça, caem de uma ocasião em outra e acabam como Pilatos, entregando-Me a Herodes.
- Quando é uma alma religiosa, não haverá talvez ocasião para ofensa grave.
- Mas, para resistir, seria preciso aceitar uma humilhação, suportar uma contrariedade.
- E se, longe de obedecer ao movimento da graça e de descobrir lealmente sua tentação, a alma consultar sua própria razão e se convencer de que não há motivo para afastar tal perigo ou recusar tal satisfação, cairá brevemente em perigo maior.
- Como Pilatos, cegará seus próprios olhos, perderá a coragem para agir com retidão e, pouco a pouco, senão rapidamente, também ela Me entregará a Herodes.

Meu Reino não é deste mundo (João 18,36)
- A todas as perguntas de Pilatos nada respondi, mas quando Me disse:
“És tu o Rei dos Judeus?”
- Então com gravidade e na plenitude de Minha responsabilidade, respondi:
“Tu o disseste, Sou Rei, mas Meu Reino não é deste mundo”
- Assim deve a alma responder com energia e generosidade, quando se apresentar ocasião de vencer o respeito humano, de aceitar algum sofrimento ou humilhação aos quais lhe seria fácil escapar.
- “Não, Meu Reino não é deste mundo” eis porque não procuro o favor dos homens.
- Vou para a minha verdadeira pátria onde me espera repouso e felicidade.
- Aqui na terra não devo fazer caso da opinião do mundo mas cumprir fielmente o meu dever.
- Se para isso precisar atravessar humilhação e sofrimento, não recuarei; escutarei a Voz da Graça.
- Se não for capaz de o conseguir sozinha, buscarei socorro e pedirei conselho, pois bem sei que o amor próprio e a paixão tentam cegar a alma para enveredá-la pelo mau caminho.
- Pilatos, pois, dominado pelo respeito humano e o receio de arcar com tamanha responsabilidade, ordenou que Me levassem a Herodes.
- Era este um homem perverso que só procurava satisfazer suas paixões desordenadas.
- Regozijou-se vendo-Me comparecer a seu tribunal, esperando divertir-se com Minhas Palavras e Meus Milagres.

“Para os puros, todas as coisas são puras;
mas para os impuros e descrentes; nada é puro:
tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas” Tito 1, 15
- Considerai, almas queridas, a repulsão que experimentei na presença daquele homem viciado e cujas perguntas, gestos e movimentos Me cobriram de confusão.
- Almas puras e virginais, vinde cercar vosso Esposo.
- Escutai os falsos testemunhos que se levantam contra Mim.
- Vede a implacável sede dessa multidão ávida de escândalos e da qual Me tornara joguete.

Quando Deus se cala
- Herodes espera que Eu responda as suas perguntas sarcásticas para Me justificar e Me defender; mas Meus Lábios não se abrem e guardo diante dele o mais profundo silêncio.
- Este silêncio era a maior prova que lhe podia dar da Minha dignidade.
- As suas palavras obscenas não mereciam cruzar-se com as Minhas puríssimas.

União intima do Coração de Jesus com o Pai eterno, eu me uno a Vós
- Durante esse tempo Meu Coração estava intimamente unido a Meu Pai Celeste.
- Consumia-Me em desejo de dar, pelas almas, que tanto amo, o Meu Sangue até a última gota.
- O pensamento de todas as almas, que um dia Me seguiriam, conquistadas pelos Meus exemplos e pela Minha liberalidade, inflamava-Me em amor.
- E não só regozijava-Me durante aquele terrível interrogatório mas desejava ao suplicio da Cruz.
- Depois de ter suportado as piores ignominias no mais perfeito silêncio, deixei que Me tratassem como louco e, coberto com veste branca sinal de zombaria e irrisão, por entre gritos da multidão, fui levado novamente ao tribunal de Pilatos.
- Vê como esse homem está aturdido e apavorado.
- Não sabe que fazer de Mim e para ver se acalma a sede daquele povo que pede a Minha morte, ordena que Me flagelem.

Discernir entre ‘ser tentado’ e ‘consentir’ na tentação CIC 2847
- Assim faz a alma que não tem coragem e generosidade para romper energicamente com as exigências do mundo, da sua natureza ou das suas paixões.
- Em vez de afrontar a tentação e cortar pela raiz, como lhe pede a consciência, o que ela sabe que não vem do espírito bom:
  • Ora cede a um pequeno capricho.
  • Ora concede a si mesma alguma leve satisfação.
  • Se tenta vencer-se num ponto, capitula diante de outro que lhe custaria maior esforço.
  • Se mortifica alguns desejos, hesita em muitos outros em que deveria, para ser fiel a Graça ou obedecer a regra privar-se de muita coisa que alimenta a sensualidade e agrada a natureza.
  • Concede a si mesma a metade de um capricho, a metade do que exige a paixão, e pacifica assim o remorso da consciência.
Paixão não mortificada
- Tratar-se-á por exemplo, de divulgar uma falta que ela crê descobrir no próximo?
- Não é nem caridade fraterna, nem desejo do bem, mas uma paixão oculta, um secreto movimento de inveja que lhe inspiram essa ideia.
- A Graça e a consciência lançam então dentro dela um grito de alarme e a previnem do espírito que a guia e da injustiça que vai cometer.
- Haverá, de certo, na alma, um primeiro instante de luta, mas a paixão que ela não mortificou priva-a brevemente de luz e de coragem para repelir a ideia diabólica.
- Então inventa um meio para só calar uma parte do que sabe, mas não tudo; e ela se desculpa diante de si mesma:
“É preciso que se saiba... só direi uma palavra...”
- Assim é que Me abandonas, como Pilatos para ser flagelado.
- Dentro em pouco, essa paixão te obrigará a terminar sua obra.
- Não penses acalmar assim tua sede.
- Hoje deste um passo, amanhã irás mais longe.
- E, tendo cedido numa pequena ocasião, com quanto mais razão cederá diante de grave tentação.

A Flagelação
- E agora, contemplai, almas caríssimas a Meu Coração, como Me deixei conduzir com mansidão de cordeiro, ao terrível suplicio da flagelação.
- Sobre Meu Corpo, moído de pancadas e alquebrado de cansaço, os verdugos descarregam cruelmente açoites e chicotes.
- Todos os Meus ossos são abalados com a mais terrível dor, feridas sem conta Me estraçalham.
- De Minha Carne Divina lá se vão pedaços arrancados pelos açoites.
- O Sangue jorra de todos os Meus Membros e em breve fico reduzido a tão lastimável estado que não tenho mais aparência de homem.
- Ah, como podeis contemplar-Me neste oceano de amargura sem que vosso coração se compadeça de Mim?
Não pertence aos algozes consolar-Me,
mas a vós, almas escolhidas, para aliviar a Minha Dor.
- Contemplai as Minhas feridas e vede se tem quem tenha sofrido tanto para vos provar seu amor.

O instrumento contempla Jesus Flagelado
- E, dirigindo-se a Josefa, Jesus continua:
“Contempla-Me nesse estado de ignominia”
- Jesus se cala e ela ergue os olhos para o Mestre.
- Ali está, diante dela, naquele lamentável estado em que o pusera a flagelação, Ele a mantém longo tempo diante da dolorosa contemplação como que para lhe imprimir para sempre na alma.
  • “Dize-Me se Minhas Feridas não te darão força para te venceres e resistires a tentação”
  • Dize-Me se não te encontrarás generosidade para te sacrificares e te entregares totalmente a Minha Vontade”
  • “Sim, olha para Mim e deixa-te guiar pela graça e pelo desejo de Me consolares neste estado de vitima.”
  • “Não temas. Teu sofrimento jamais igualará ao Meu e Minha Graça te assistirá em tudo o que Eu te pedir.”
  • “Adeus. Conserva-Me assim em teus olhos.”
Os efeitos da Mensagem de Amor e da contemplação
- Então o Senhor desaparece. Josefa continua imóvel, com os olhos fechados e uma indizível emoção gravada no rosto.
- Envolve-a impressionante silêncio.
- Pouco a pouco volta a si... não pode falar... com a mão trêmula, escreve:
- Mostrou-se no estado em que O deixaram depois da Flagelação, e esta visão me encheu de tanta compaixão que me parece que ora em diante terei coragem para sofrer o que for até o fim de minha vida.
- Dor nenhuma chegará perto sequer da Sua Dor.
- O que mais me impressionou foram Seus Olhos que são habitualmente tão belos e cujo Olhar tanto me fala a alma... hoje, estavam fechados, muito inchados e ensanguentados, principalmente o Olho direito.
- Os Cabelos cheios de Sangue caiam-lhe sobre o Rosto, sobre os Olhos e sobre a Boca.
- Estava em Pé mas curvado e atado a alguma coisa, mas eu não via senão a Ele.
- Suas Mãos estavam amarradas uma a outra, a altura da cintura e cobertas de Sangue.
- Seu Corpo sulcado de feridas e manchas roxas com as veias dos braços inchadas e quase pretas.
- Do Ombro esquerdo pendia um pedaço de Carne s destacar-se e também de várias outras partes do Corpo.
- As Vestes estavam a Seus Pés rubras de Sangue.
- Uma corda muito apertada segurava a altura da Cintura um pedaço de pano Ensanguentado que não se lhe podia ver a cor.
- Não posso dizer em que estado O vi... não sei exprimi-lo.

17.março.1923 (397-409)
“Apelo ao Amor” A mensagem do Coração de Jesus ao Mundo e Sua Mensageira Irmã Josefa Menéndez da Sociedade do Sagrado Coração.

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terça-feira, 10 de junho de 2014

Purificação Interior

Purificação interior
Quando uma alma tem certeza moral de estar na graça de Deus, embora despojada dos prazeres do mundo e dos dons de Deus, está contente sabendo que ama a Deus e é amada por ele.
Mas o que faz Deus, querendo vê-la mais purificada e despida de toda a satisfação sensível, para uni-la toda a si por meio de seu puro amor?
- Coloca-a na prova da desolação que causa uma dor pior do que todos os sofrimentos interiores e exteriores que uma alma pode sofrer. Priva-a do conhecimento de estar na graça e a deixa em densas trevas, de modo a pensar que não mais encontrará a Deus. As vezes Ele permite que seja assaltada por fortes tentações dos sentidos, tentações contra a castidade, pensamentos de desconfiança, de desespero e até mesmo de ódio a Deus.
            Parece-lhe que o Senhor a rejeitou e já não escuta as suas orações. De um lado as tentações são fortes e a concupiscência se faz sentir, de outro lado, a alma se vê em tão grande escuridão, que, embora resista com a vontade, não distingue bem se está resistindo como deve as tentações ou se nelas está consentindo.
            Com isso cresce-lhe o temor de perdido a Deus, e de que Deus, pelas suas infidelidades nesses combates, justamente a tenha abandonado de todo. Parece-lhe ter chegado a extrema ruina, de não mais amar a Deus e de ser odiada por ele.
- Santa Tereza experimentou essa provação. Diz ela que em tal estado, a solidão já não a consolava mas lhe era um tormento, e quando ia rezar, parecia-lhe encontrar um inferno.

Combater o bom combate
            Acontecendo isso a uma alma que ama a Deus, não deve ficar ela aborrecida nem o diretor espiritual ficar assustado. Tais movimentos dos sentidos, as tentações contra a fé, a desconfiança, os impulsos que a movem a odiar a Deus, são temores e tormentos da alma, esforços do inimigo, mas não são atos voluntários e por isso não são pecados.
            A pessoa que ama de verdade a Jesus Cristo resiste bem a esses combates e não consente em tais sugestões. Envolvida pelas trevas, não sabe distinguir o seu estado e se perturba. Vendo-se afastada da presença da graça, teme e se aflige. Bem se pode ver, nessas almas assim provadas, que tudo é medo e apreensão, mas não realidade. Perguntai-lhes se, enquanto se encontram abandonadas assim, cometeriam um só pecado venial conscientemente. Resolutamente responderiam estar prontas a sofrer, não uma, mas mil mortes, antes de deliberadamente dar um desgosto a Deus.

Unir-se a vontade de Deus
Devemos distinguir:
- Uma coisa é fazer um ato bom, como vencer a tentação, confiar em Deus, amar e querer o que Deus quer.
- Outra coisa é conhecer que, de fato, fazemos esse ato bom.
- Conhecer que fazemos um ato bom traz-nos consolação. O proveito não nos vem de conhecer que praticamos uma boa ação, mas de a praticarmos.
            Deus contenta-se com o ato feito e priva a alma do conhecimento. Assim ele lhe tira toda a satisfação própria que, na verdade, nada acrescenta ao ato praticado. O Senhor quer mais o nosso proveito do que a nossa satisfação.
            Consolando uma pessoa aflita, São João da Cruz escreveu-lhe:
“Nunca estiveste em melhor estado do que este, porque nunca estiveste tão humilhada e desapegada do mundo. Nunca te reconheceste tão miserável como agora, nem despojada e longe de procurar a ti mesma”
            Não creiamos, enfim, ser mais amados de Deus quando sentimos as consolações espirituais, pois, a perfeição não consiste nisso, mas em mortificar a nossa vontade e uni-la a vontade de Deus.

Perseverança na desolação
            Nessa desolação a alma não deve dar ouvidos a tentação que sugere Deus tê-la abandonado, nem deixar a oração, pois é isso que o demônio pretende para jogá-la no precipício. Diz Santa Tereza:
“O Senhor prova com aridez e tentações aqueles que o amam.
Ainda que a aridez dure toda a vida, não deixe a alma a oração; tempo virá em que tudo lhe será bem pago”.
            Em tal estado de sofrimento, a alma deve humilhar-se, julgando-se merecedora de ser assim tratada pelas ofensas feitas a Deus. Humilhar-se e resignar-se inteiramente a vontade divina, dizendo-lhe:
“Aqui estou, Senhor. Se me quereis assim desolada e aflita durante toda a minha vida ou mesmo por toda a eternidade, dai-me a vossa graça, fazei que eu vos ame; depois disponde de mim como for do vosso agrado”.

Manter-se em estado de graça
            Querer a alma ter a certeza de estar na graça de Deus, ou de que isto é provação e não abandono de Deus, será inútil e talvez causa de maior inquietação pois Ele não quer que ela saiba.
Não o quer para maior bem, para que a alma se humilhe mais e multiplique as orações e atos de confiança na sua misericórdia.
A alma quer ver e Deus não quer que veja.
            Além disso, São Francisco de Sales diz: A resolução de não consentir em nenhum pecado, por pequeno que seja, nos assegura que estamos em estado de graça”.
            Mas, quando a alma se encontra em grande desolação, nem isso conhece claramente. Ela não deve pretender sentir o que deseja, basta-lhe querer com a limitação de sua vontade. Dessa forma, deve abandonar-se toda nos braços da bondade divina. Oh! Como agradam a Deus esses atos de confiança e de resignação no meio das trevas da desolação! Confiemos no Senhor que, como diz Santa Tereza, nos ama mais do que nós amamos a nós mesmos”.


A Prática de amor a Jesus Cristo Cap XVII– Santo Afonso Maria de Ligório

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Deus nos ama

Deus nos ama
17. Por que Deus nos carrega de tantas cruzes e parece se alegrar vendo-nos atribulados, desprezados, perseguidos e maltratados no mundo?
Por acaso é um tirano tão cruel que gosta de nos ver sofrer?
Não. Deus não é um tirano nem é cruel; ele é todo bondade e amor para conosco. Basta dizer que nos amou até morrer por nós.
Ele se alegra, sim, vendo-nos sofrer, mas para o nosso bem. Deseja que, sofrendo nesta vida, fiquemos livres das penas que deveríamos sofrer na outra vida por causa das nossas dividas com a justiça de Deus.
Ele se alegra, sim, para que não nos apeguemos aos prazeres sensíveis desta vida.
Certas mães colocam algo de amargo em seus seios quando querem desmamar o filhinho. Deus torna amargos os prazeres da vida para que, sofrendo com paciência e resignação, lhe demos alguma prova de nosso amor.
Alegra-se finalmente, por adquirirmos maior glória no céu com os nossos sofrimentos. Por esses motivos, todos eles de bondade e amor, o Senhor se alegra vendo-nos sofrer.

18. Para praticarmos bem a resignação em todas as tribulações que nos acontecem, é necessário persuadir-nos de que todos os sofrimentos vêm das mãos de Deus, diretamente ou indiretamente através dos homens.
Quando nos virmos atribulados, devemos agradecer ao Senhor e aceitar alegremente tudo o que ele nos manda, porque tudo é para o nosso bem: “Todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus” Romanos 8,28.
Quando nos aflige alguma tribulação, devemos pensar no inferno, por nós merecido. Todo o sofrimento em comparação com o inferno, será sempre imensamente menor.
Mas, para sofrer com paciência todas as dores, todos os desprezos e todas as contrariedades, requer-se a oração mais do que qualquer consideração. A ajuda divina que nos será dada depois da oração, comunicar-nos-á a força que não tínhamos.
Assim fizeram os santos, recomendaram-se a Deus e venceram todos os sofrimentos e perseguições.

Oração
            Senhor, estou convencido de que, sem sofrer com paciência, não posso ganhar o céu. “Dele é que vem –dizia Davi- a minha paciência” Salmo 61,6. O mesmo quero dizer.
            Vós me dareis a paciência para sofrer. Quero aceitar com tranquilidade todas as tribulações, mas depois, quando elas chegam, encho-me logo de tristeza de desânimo.
            Dessa forma sofro sem méritos e sem amor, porque não sei ainda sofrer par vos agradar.
            Por isso, meu Jesus, eu vos peço, pelos merecimentos de vossa paciência, a graça de sofrer todas as cruzes por vosso amor.
            Eu vos amo de todo o meu coração, divino Redentor.
Eu vos amo, meu sumo bem;
Amo-vos, Jesus, digno de um amor infinito.
Arrependo-me de todos os desgostos que vos tenho dado.
Prometo-vos aceitar com resignação todos os sofrimentos de que me enviardes; mas espero de vós o socorro para sofrer com paciência, especialmente as dores da minha agonia e da minha morte.
Maria, minha Rainha, alcançai-me uma verdadeira resignação em tudo o que ainda tenha de sofrer na vida e na morte.

Amém.
A Prática de amor a Jesus Cristo Cap XIV– Santo Afonso Maria de Ligório

segunda-feira, 31 de março de 2014

Vida simples (Santo Afonso)

Quem ama a Jesus Cristo só a Ele ambiciona
1. Quem ama a Deus, não anda a busca de afeição das pessoas.
- Seu único DESEJO é estar bem com Deus, o único objeto de seu amor.
- S.Hilário: As honrarias deste mundo são negócios do demônio. É isso mesmo, porque ele negocia para o inferno quando introduz na alma os DESEJOS de estima. Perdendo a humildade, qualquer pessoa se coloca em risco de abraçar todos os males. Deus, ao dar suas graças, abre sua mão aos humildes e a fecha aos orgulhosos: Resiste aos orgulhosos, isto é, nem sequer escuta suas orações. Entre os atos de orgulho, certamente um é este: ambicionar a afeição dos homens e tornar-se vaidoso com as honras recebidas deles.

            2. Muito espantoso foi o exemplo de Frei Justino. Ele tinha adquirido um grande grau de conhecimento de Deus, mas possivelmente ou certamente alimentava dentro de si o DESEJO de ser estimado pelo mundo. Um dia o Papa Eugênio IV mandou chama-lo. Pela fama que tinha de sua santidade, recebeu-o com muitas honras, abraçando-o e fazendo com que se assentasse junto dele. Depois deste fato, Frei Justino encheu-se de vaidade, de tal forma que S.João Capristano lhe disse: “Frei Justino, você foi lá como um anjo e voltou como um demônio” De fato, crescendo dia a dia em seu orgulho, pretendendo ser tratado como julgava merecer, chegou até a matar um frade com um punhal. Depois perdeu a fé e fugiu para Nápolis onde fez outros crimes. Finalmente, aí morreu, apóstata, numa prisão.
- Por isso, quando ouvimos ou lemos que caíram certos cedros do Libano, um Salomão, um Tertuliano, um Osio, considerados por todos como santos e no entanto caíram, é sinal que eles não se deram totalmente a Deus. É sinal que interiormente alimentavam em si sentimentos de orgulho e por isso caíram.
- Tremamos de medo, portanto, quando sentirmos aparecer em nós qualquer DESEJO de aparecer a de ser estimado pelo mundo. Quando as pessoas nos homenagearem, cuidado para não nos comprazermos nessas honras. Elas poderão ser a causa de nossa ruína.

Vida oculta
            3. Cuidemo-nos especialmente de andar buscando pequenas honras.
- S.Tereza: Onde há pequenos pontos de honra, não haverá espirito interior.
- Muitas pessoas dizem ter vida espiritual, mas idólatras da estima própria. Mostram exteriormente certas virtudes, mas ambicionam ser louvados por tudo o que fazem e quando não há ninguém que as louve, louvam-se a si mesmas. Procuram enfim, parecer melhores do que os outros e, se por acaso, alguém as machuca em algum ponto de honra, perdem a paz, deixam de comungar, abandonam todas as suas devoções. Não ficam sossegadas enquanto não lhes parecer que readquiriram a fama perdida.
- Aqueles que amam a Deus de verdade não fazem assim. Fogem de falar em seu próprio louvor, não se comprazem nas palavras elogiosas que lhes dizem. Longe de tudo isso, eles se entristecem com tais elogios e se alegram quando são desprezados pelas pessoas.

            4. S.Francisco Sales: Sou aquilo que sou diante de Deus.
- Que valor tem ser estimado pelas pessoas deste mundo, se diante de Deus somos nada? Ao contrário, o que importam os desprezos do mundo, se somos agradáveis e queridos aos olhos de Deus?
- S. Agostinho: O elogio do adulador não cura a má consciência, nem as injurias de quem ofende ferem a consciência boa.
- Dessa forma, quem nos louva não nos livra do castigo de nossas más ações e quem nos condena não nos tira o merecimento de nossas boas ações.
- S.Tereza: Que nos importa sermos julgados como culpados pelas pessoas, tidos por ordinários, se diante de Deus somos grandes e inocentes?
- Os santos DESEJAVAM  viver desconhecidos e desconsiderados por todos.
- S.Francisco Sales: Que mal as pessoas nos fazem quando tem uma fraca opinião de nós, se nós mesmos a devemos ter? Talvez saibamos que somos maus e pretendemos que os outros nos tenham por bons?

Vida simples
            5. Como é segura a vida escondida para aqueles que querem amar d todo o coração a Jesus Cristo! Jesus mesmo nos deu o exemplo disso, vivendo desconhecido e desprezado durante trinta anos numa oficina. Por isso, os santos fugindo a estima dos homens, foram viver nos desertos e nas grutas.
- S.Vicente Paulo: “O gosto de aparecer, de ser elogiado, o DESEJO de que seja louvado o comportamento, de que se diga que somos bem sucedidos e que fazemos maravilhas, é um mal. Fazendo-nos esquecer a Deus, prejudica nossas ações mais santas r torna-se para nós o vicio mais pernicioso ao progresso da vida espiritual”

            6. Aquele, portanto, que quer crescer no amor a Jesus Cristo, precisa fazer morrer em si mesmo o amor a própria estima.
- Como se faz morrer a própria estima?
- S.Maria Madalena Pazzi: “A vida da própria estima é a boa reputação na qual os outros nos têm. Portanto, a morte da própria estima consiste em nos escondermos para não sermos conhecidos de ninguém. Enquanto não chegarmos a morrer desse modo, não seremos verdadeiros servos de Deus”

            7. Portanto, para nos fazermos agradáveis aos olhos de Deus, é preciso afastar de nós o DESEJO de aparecer e de agradar aos homens. Principalmente refrear o DESEJO de dominar os outros.
- S.Tereza preferia que o seu mosteiro, com todas as religiosas, fosse devorado pelo fogo, antes que entrasse lá essa maldita ambição. Se, por acaso, uma das suas religiosas pretendesse ser superiora, queria que fosse expulsa do convento ou, no mínimo, encarcerada para sempre.
- S.Maria Madalena Pazzi: “A honra de uma pessoa desejosa da vida espiritual está em ser colocada depois de todos os outros e em ter horror de ser preferida aos outros.” A ambição de uma pessoa que ama a Deus deve ser a de superar a todos na humildade: “Nada fazendo por competição ou vanglória, mas com humildade”

Oração
            Meu Jesus, dai-me a ambição de vos agradar e fazei-me esquecer a todas as criaturas e até a mim mesmo. O que me adianta ser amado por todo o mundo, se não sou amado por vós, o tudo de minha vida? Jesus, viestes a este mundo para ganhar os nossos corações. Se eu não sei vos dar o meu coração, tomai-o vós; enchei-o de vosso amor e não permitais que me separe de vós.
            No passado, virei as costas para vós, mas agora, vendo o mal que fiz, arrependo-me de coração e nada me aflige tanto como a lembrança das ofensas que vos fiz. Consola-me o saber que sois a bondade infinita e amais um pecador que vos ama.
            Eis-me aqui, quero vos pertencer, quero sofrer tudo o que for de vossa vontade, já que, por meu amor, morrestes de dor numa cruz. Quereis que eu seja santo, podeis fazer-me santo; em vós confio.
            Maria, grande mãe de Deus, eu confio também na vossa proteção.


A Prática de amor a Jesus Cristo Cap X– Santo Afonso Maria de Ligório

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Quem não cresce, mingua

- Seria ilusão imaginar que quando nascemos para a Vida Natural e depois pelo Batismo para a Vida Sobrenatural, nasceríamos crescidos, amadurecidos e prontos para o que der e vier (CIC 1936).
- Quem pensasse assim ficaria decepcionado.

- Quando nascemos – VIDA NATURAL - já somos criaturas racionais, com as faculdades pelas quais somos incomparavelmente superiores a todas as coisas criadas. Estas faculdades da alma (Inteligência, memória, vontade), porém, estão no recém-nascido apenas de modo virtual, sujeitas à lei de um lento crescimento e amadurecimento.
- Para se atualizar, cada faculdade tem seu próprio tempo e dinamismo.
- Com intelecto, memória, vontade, afeto e livre arbítrio inteiramente normais, a criança só pouco a pouco será capaz de ter atos de inteligência e vontade. O processo dura muitos anos, sujeito a pacientes treinamentos, até chegar à maturidade e produzir frutos próprios.

- Na vida Cristã – VIDA SOBRENATURAL será parecido. Pelo Batismo nascemos de novo, do alto, pela água e pelo Espírito Santo. Mas nesta nova vida no Espírito não nascemos grandes e maduros.
- Recebemos virtualidades, faculdades, propriedades ou sementes que não estavam em nós segundo a ordem da criação. Foi-nos comunicada então a graça da filiação divina adotiva, da participação na natureza divina, chamada também Graça Santificante, com todo o cortejo de Virtudes Infusas e Dons do Espírito Santo (CIC 1803-1832).

- Como na Ordem da Criação/Vida Natural, ninguém vem ao mundo feito e já com aptidão de atuar de modo inteligente e livre, assim também na Ordem da Redenção/Vida Sobrenatural, ninguém nasce maduro e capaz de atuar como filho adotivo de Deus, enviado do Senhor Jesus e templo vivo do Espírito Santo.
- No Batismo recebemos o Espírito Santo como uma semente, que tem em si, a graça, mas que precisa ser atualizadas num penoso processo de crescimento.

- A vinda e ação do Paráclito em nós devem ser entendidas à luz da parábola do semeador em Mateus 13,3-30.
- Para poder desenvolver-se, a semente precisa de condições, sem as quais não será capaz de crescer e produzir fruto. Ai entra a formação recebida.
A semente é de excelente qualidade.
A diferença está no solo. E o solo somos nós.
1) “Todo aquele que ouve a Palavra do Reino e não a entende, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Esse é o que foi semeado na beira do caminho.
2) O que foi semeado em lugares pedregosos é aquele que ouve a Palavra e a recebe imediatamente com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando surge uma tribulação ou uma perseguição por causa da Palavra, logo sucumbe.
3) O que foi semeado entre os espinhos é aquele que ouve a Palavra, mas os cuidados com do mundo e a sedução da riqueza sufocam a Palavra e ela se torna infrutífera.
4) O que foi semeado em terra boa é aquele que ouve a Palavra e a entende. Esse dá fruto, produzindo á razão de cem, de sessenta e de trinta”.

- Os cuidados com o mundo, a sedução das riquezas, os prazeres da vida, as ambições desmedidas, as dificuldades na caminhada, as tentações de todo tipo, tudo isso se opõe à germinação da semente, ao crescimento da planta, ao florescimento dos ramos e ao amadurecimento dos frutos.

- Quem se fechar à semeadura da semente (Palavra) da qual nascem os frutos do Paráclito, ou a arrancar de si, ou não se deixar guiar pelo Espírito, sentirá sem demora a brotação das obras da carne (conf. Gálatas 5, 16-21 e Mt 15,19).

Crescer juntos até a colheita
- Muitas vezes justificamos nossas atitudes e pensamentos perversos dizendo que “todo mundo” pratica ou pensa daquela forma, por isso, agimos ou pensamos assim; mas a resposta do Senhor é bem clara:
Deixai crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ‘Arrancai primeiro o joio e ataio em feixes para ser queimado; quanto ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’”. Mateus 13, 30

- Não desanimemos:
“Nós, porém, vos exortamos, irmãos, a progredir cada vez mais.” ITess 4, 10
“No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: Eu venci o mundo.” “Esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé.” João 16, 33 e I João 5, 4
- Não atrasemos o nosso crescimento deixando que a Palavra de Salvação seja abafada por nossas misérias:
Os espinhos cresceram e a abafaram.” Mateus 13, 7
- O Senhor nos concedeu a vida para que sejamos Louvor de Sua Glória, em tudo dai graças:
“Bem e mal, vida e morte, pobreza e riqueza, tudo vem do Senhor.” Eclo 11,14
“Não digas: ‘É o Senhor que me faz pecar’,
                    porque Ele não faz aquilo que odeia.
Não digas: ‘É Ele que me faz errar’,
                  porque Ele não tem necessidade de um homem pecador.
- O Senhor odeia toda espécie de abominação e nenhuma é amável para os que a temem. Desde o principio Ele criou o homem e o abandonou nas mãos de sua própria decisão:
  • Se quiseres, observarás os mandamentos: a fidelidade está no fazer a Sua vontade.
- Ele colocou diante de ti o fogo e a agua;
  • para o que quiseres estenderás a tua mão.
- Diante dos homens está a vida e a morte;
  • ser-te-á dado o que preferires. Eclo 15, 11-17

Viver em estado de graça
“Começareis por purificar-vos com a contrição interior, desapegando-vos da iniquidade e desejando a virtude.
Sem essa predisposição, exigida na medida de vossas possibilidades como ramos unidos à Videira, que é Jesus, nada recebereis.” Diálogo 69; CIC 1431

- Manter-se puro:
“Quando o espírito impuro sai do homem*, perambula em lugares áridos, procurando repouso, mas não o encontrando, diz:
‘Voltarei para minha casa, de onde saí’. Chegando lá, encontra-a varrida e arrumada**. Diante disso, vai e toma outros sete espíritos piores do que ele, os quais vêm habitar aí. E com isso a condição final daquele homem torna-se pior do que antes.” Lucas 11, 24-26
* O ‘espírito impuro sai do homem’ significando que houve uma libertação através dos Sacramentos e da Palavra de Deus; a alma então fica em estado de graça.
** ‘encontra-a varrida e arrumada’ significa que houve uma limpeza, jogou-se fora tudo que não presta, porém, não preencheu o coração com o Senhorio de Jesus, seu estado foi transitório conforme as quatro circunstâncias explicadas na Parábola do Semeador em Mateus 13, 18-23.

Romper com o pecado
- Todo pecado por menor que seja nos leva a morte lentamente:
“Vós ainda não resististes até o sangue em vosso combate contra o pecado” Hb 12,4
- O pecado tem aparência de bem:
“O Espírito Santo nos faz discernir entre:
  • a provação, necessária ao crescimento do homem interior em vista de uma ‘virtude comprovada’;
  • e a tentação, que leva ao pecado e a morte.
Devemos também discernir entre ‘ser tentado’ e ‘consentir’ na tentação.
O discernimento desmascara a mentira da tentação:
  • Aparentemente, seu objeto é ‘bom, sedutor para a vista, agradável’(Gn 3,6), ao passo que, na realidade, seu fruto é a morte.” CIC 2847
- Toda circunstância pode gerar uma escravidão. Enquanto vivemos nesta peregrinação, vivemos momentos de muita luta interior e que pouco a pouco vamos vencendo ou não, depende da vontade: O que falta vencer?
  • Alcoolismo, Jogo, Sexo: desejo, filmes...
  • Ira: trânsito, relacionamentos...
  • Gula
  • Inveja, Maledicência
  • Julgamento precipitado
  • Fidelidade a Doutrina Católica
“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma.” ICorintios 6, 12
- Este equilíbrio emocional e psíquico faz-se necessário uma vez que não somos mais ignorantes da Palavra de Deus e que haveremos de prestar contas de tudo o que fazemos ou falamos.(conf. Atos 17, 30)

Ficamos na letargia até atingirmos a maturidade

- O exemplo de Zacarias é claro; pode nos faltar a confiança em Deus, mesmo sendo justos e praticando a religião; após o anuncio do anjo, vacilou: “Sou velho e minha esposa de idade avançada. Respondeu-lhe o anjo: Eis que ficarás mudo e sem poder falar até o dia em que isso acontecer, porquanto não creste em minhas palavras, que se cumprirão no tempo oportuno...Somente após o nascimento de João sua boca “abriu-se”. Lucas 1