quinta-feira, 20 de março de 2014

Maria, fazer tudo por Maria

Práticas particulares e interiores
para os que desejam vir a ser perfeitos
§257. As práticas exteriores desta Devoção, que acabo de referir, não devem omitir-se por negligência ou desprezo, na proporção em que o estado e a condição de cada um o permitem. Mas além destas práticas exteriores há ainda práticas interiores, muito santificantes para aqueles que o Espírito Santo chama a uma alta perfeição. Consistem, numa palavra, em
fazer todas as ações por Maria, com Maria, em Maria e para Maria, a fim de mais perfeitamente as fazer por Jesus Cristo, com Jesus Cristo, em Jesus e para Jesus.

Fazer tudo por Maria
§258. É necessário fazer todas as ações por meio de Maria, o que equivale a dizer que devemos obedecer em tudo à Santíssima Virgem, e conduzir-nos em tudo pelo seu espírito, que é o Espírito Santo de Deus. “Aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus” (Rm 8, 14). Aqueles que são conduzidos pelo espírito de Maria são filhos de Maria e, por conseguinte, filhos de Deus, como já mostramos (§29-30).
- E entre tantos devotos da Santíssima Virgem, os devotos verdadeiros e fiéis são somente aqueles que se deixam conduzir pelo seu espírito. Eu disse que o espírito de Maria era o Espírito de Deus, porque Ela nunca se conduziu pelo seu próprio espírito, mas sempre pelo de Deus, o qual d'Ela tomou posse, de tal modo, que passou a ser o seu próprio espírito. É por isso que Santo Ambrósio diz:
Que a alma de Maria esteja em cada um para glorificar o Senhor;
que o espírito de Maria esteja em cada um para se alegrar em Deus”.
- Como é feliz uma alma quando - a exemplo de um bom irmão jesuíta, chamado Rodriguez e falecido em odor de santidade - ela é toda governada e possuída pelo espírito de Maria, que é um espírito suave e forte, zeloso e prudente, humilde, corajoso, puro e fecundo!

§259. A fim de que uma alma se deixe conduzir por este espírito de Maria é preciso:
1º. Renunciar ao seu próprio espírito, às suas próprias luzes e vontades antes de fazer qualquer coisa, por exemplo, antes de fazer oração, de celebrar ou assistir à Santa Missa, antes de comungar etc. Porque as trevas do nosso espírito próprio e a malícia da nossa vontade e obras poriam obstáculo ao santo espírito de Maria, se as seguíssemos, embora nos parecessem boas.
2º. Entregar-se ao espírito de Maria para ser movida e conduzida do modo que Ela quiser. Temos de nos pôr e nos abandonar nas suas mãos virginais, como um instrumento nas mãos do artífice, como uma cítara nas mãos dum bom músico.
- É preciso perder-se e entregar-se a Ela, como uma pedra que se atira ao mar, o que se faz tão simplesmente, num instante, por um olhar do espírito, um pequeno movimento da vontade, ou verbalmente, dizendo por exemplo:
 “Renuncio a mim mesmo e dou-me a Vós, ó minha querida mãe!”
- E ainda que não se experimente qualquer doçura sensível neste ato de união, ele não deixa de ser verdadeiro, assim como se alguém dissesse, o que Deus não permita: “Dou-me ao demônio”; se o dissesse com sinceridade, embora sem qualquer mudança sensível, não seria menos realmente do demônio.
3º. Renovar este mesmo ato de oferecimento e de união, de tempos a tempos, durante a ação ou depois dela. Quanto mais o repetir tanto mais depressa a alma se santificará e mais depressa chegará à união com Jesus Cristo, pois esta segue-se sempre à união com Maria, visto o espírito de Maria ser o de Jesus.

Fazer tudo com Maria
§260. É necessário fazer todas as ações com Maria.
- Para isso devemos pôr os olhos n'Ela, em todas as nossas ações, como no modelo acabado de toda a virtude e perfeição. É o modelo formado pelo Espírito Santo numa simples criatura, para nós o imitarmos, na medida das nossas limitadas forças. É preciso, portanto, que consideremos, em cada ação, o modo com o qual Maria a fez ou faria se estivesse no nosso lugar.
- Para isso devemos examinar e meditar as grandes virtudes que Ela praticou durante a vida, particularmente:
1º. A sua Fé viva, pela qual acreditou, sem hesitar, na palavra do anjo. Acreditou fielmente, constantemente, até o pé da Cruz, no Calvário;
2º. A sua Humildade profunda, que a fez esconder-se, calar-se, submeter-se a tudo e pôr-se no último lugar;
3º. A sua Pureza toda divina, que não teve nem jamais terá igual sob o Céu. Enfim, todas as suas demais virtudes (§108).
- Lembremo-nos, torno a repetir, que Maria é a grande e a única Fôrma de Deus (§218-221), própria para formar imagens de Deus, facilmente e em pouco tempo. Uma alma que achou deveras esta Fôrma e n'Ela se perdeu, em breve se transformará em Jesus Cristo, que este molde representa ao natural.

Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem Maria

São Luis Maria Grignion de Monfort

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