sábado, 22 de março de 2014

Maria, fazer tudo em Maria

Práticas particulares e interiores
para os que desejam vir a ser perfeitos
§257. As práticas exteriores desta Devoção, que acabo de referir, não devem omitir-se por negligência ou desprezo, na proporção em que o estado e a condição de cada um o permitem. Mas além destas práticas exteriores há ainda práticas interiores, muito santificantes para aqueles que o Espírito Santo chama a uma alta perfeição. Consistem, numa palavra, em
fazer todas as ações por Maria, com Maria, em Maria e para Maria, a fim de mais perfeitamente as fazer por Jesus Cristo, com Jesus Cristo, em Jesus e para Jesus.

Sequencia da postagem “Maria, fazer tudo por Maria”
Fazer tudo em Maria
§261. É necessário fazer todas as ações em Maria.
- Para bem compreender esta prática, é preciso saber que a Santíssima Virgem é o verdadeiro Paraíso Terrestre do Novo Adão, e que o antigo paraíso não era mais que a sua imagem. Pois há neste Paraíso Terrestre riquezas, belezas, raridades e doçuras inexplicáveis, que o Novo Adão, Jesus Cristo, aí deixou. Neste paraíso Ele achou as suas delícias durante nove meses, operou as suas maravilhas e ostentou as suas riquezas com a magnificência de um Deus. Este Lugar Santo não é composto senão de uma terra virgem e imaculada, da qual foi formado e se alimentou o Novo Adão, sem qualquer nódoa ou mancha, pela operação do Espírito Santo que aí habita.
- É neste Paraíso Terrestre que está verdadeiramente a árvore da vida, que produziu Jesus Cristo, o fruto da vida; a árvore da ciência do bem e do mal, que deu a luz ao mundo. Há neste lugar divino árvores plantadas pela mão de Deus e regadas com a sua unção divina, que produziram e produzem ainda, cada dia, frutos de um sabor divino. Há canteiros esmaltados de belas e variadas flores de virtudes, exalando aroma que perfuma os próprios anjos. Há nele prados verdes de esperança, torres inexpugnáveis de força, casas encantadoras de confiança etc.
- A não ser o Espírito Santo, não há quem possa dar a conhecer a verdade escondida sob estas imagens de coisas materiais.
  • Respira-se neste lugar o ar puro e incontaminado de pureza;
  • nele brilha o dia belo e sem mancha da santa humanidade;
  • irradia o Sol jucundo e sem sombras da Divindade;
  • arde a fornalha ardente e contínua da Caridade, em que todo ferro que é lançado abrasa-se, transformando-se em ouro;
  • nele há um rio de humildade, que brota da Terra, e, dividindo-se em quatro braços, banha este lugar encantado: são as quatro virtudes cardeais (Gn 2, 8-10; § 6).

§262. O Espírito Santo, pela boca dos Santos Padres, também chama a Santíssima Virgem de:
1º. A Porta Oriental, por onde o grande sacerdote Jesus Cristo entra e sai do mundo (Ez 44, 2-3): Por Ela entrou a primeira vez, por Ela virá a segunda vez;
2º. O Santuário da Divindade, o Repouso da Trindade Santíssima, o Trono de Deus, a Cidade de Deus, o Altar de Deus, o Templo de Deus, o Mundo de Deus. Todos estes diferentes epítetos e louvores são muito verdadeiros, atendendo às diversas maravilhas e graças que o Altíssimo operou em Maria.
Oh! Que riquezas! Oh! Que glória! Oh! Que prazer! Oh! Que felicidade poder entrar e permanecer em Maria, onde o Altíssimo colocou o Trono da sua Glória Suprema!

§263. Mas como é difícil a pecadores como nós obter permissão e ter capacidade e luz para entrar neste lugar. Pois é tão alto e tão santo que é guardado, não por um querubim, como o antigo Paraíso Terrestre (Gn 3, 24), mas pelo próprio Espírito Santo, que se tornou seu Senhor absoluto.
- Por isso Ele diz a respeito de Maria: “Tu és um jardim fechado, ó minha irmã e esposa, tu és um jardim fechado e uma fonte selada” (Ct 4, 12). Maria está fechada e selada. Os miseráveis filhos de Adão e Eva, expulsos do Paraíso Terrestre, não podem entrar neste, senão por uma graça particular do Espírito Santo, graça que devem merecer.

§264. Quando, pela fidelidade, se obteve esta insigne graça, é preciso permanecer no interior de Maria, todo cheio de beleza.
- É preciso ficar lá com complacência, descansar em paz, apoiar-se confiadamente, esconder-se com segurança e perder-se sem reservas.
- O resultado será que, neste seio virginal:
1º. A alma será nutrida pelo leite da sua graça e da sua misericórdia maternal;
2º. Será libertada das suas perturbações, temores e escrúpulos;
3º. Estará em segurança contra todos os seus inimigos: o demônio, o mundo e o pecado, que n'Ela jamais entraram.
- Por isso Maria diz: “Os que em mim operam, não pecarão” (Eclo 24, 30). - Isto é, os que em espírito permanecem na Santíssima Virgem não cometerão pecados consideráveis;
4º. Será formada em Jesus Cristo e Jesus Cristo nela, Pois o seio de Maria é, como dizem os Santos Padres, a Sala dos Sacramentos Divinos (§ 248), onde Jesus Cristo e todos os eleitos foram formados: “Um homem e um homem nasceu d'Ela” (Sl 86, 5; n. 32).

Fazer tudo para Maria
§265. Devemos, finalmente, fazer todas as ações para Maria.
- Pois, visto que nos entregamos totalmente ao seu serviço, é justo que façamos tudo por Ela, como um criado, um servo, um escravo. Não que a tomemos como fim último dos nossos serviços, pois só Jesus Cristo o é.
- Mas tomamo-la como fim próximo, como meio misterioso e fácil para ir a Ele. Como bons servos e escravos, não devemos ficar ociosos, mas é preciso que, apoiados na sua proteção, empreendamos e realizemos grandes coisas para esta augusta Soberana.
- É preciso defender os Seus privilégios, quando lhos disputam, e sustentar a sua glória, quando a atacam. É preciso atrair todo o mundo, se for possível, ao seu serviço, e a esta Verdadeira e Sólida Devoção. É preciso falar e clamar contra os que abusam da sua Devoção para ultrajar seu Filho, e, ao mesmo tempo, estabelecer esta Verdadeira Devoção. É preciso pretender apenas, como recompensa destes pequenos serviços, a honra de pertencer a tão amável Princesa, a felicidade de sermos por Ela unidos a Jesus, seu Filho, com um laço indissolúvel, no tempo e na eternidade.
GLÓRIA A JESUS EM MARIA!
GLÓRIA A MARIA EM JESUS!
GLÓRIA A DEUS SÓ!
Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem Maria

São Luis Maria Grignion de Monfort

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