sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Faculdades da Alma na Vida Espiritual

Função das Faculdades da Alma na Vida Espiritual
- Todos os males procedem do egoísmo; é ele que obscurece a razão, na qual se encontra a iluminação da fé. Quem perde uma dessas duas luzes, perde ambas.
- Ao criar o homem à minha imagem e semelhança, dei-lhe a memória, a inteligência e a vontade.
- Entre elas, a mais nobre é a inteligência. Embora seja movida pela vontade, é a inteligência que alimenta a vontade. Por sua vez, a vontade fornece a memória a recordação de mim e dos meus favores. Essa recordação dará à pessoa solicitude e gratidão.

- Como vês, uma faculdade reabastece a outra, nutrindo o homem na vida da graça.
- Não vive o homem sem amor; ele sempre procura algo para amar.
Criei por amor, criei-o no amor.
- Assim, a vontade move a inteligência, quase dizendo-lhe:
“Quero amar; o amor é meu sustento”.
- Desperta-se então a inteligência e responde:
“Se queres amar, vou dar-te o bem para que o ames”!

- Reflete ela sobre a dignidade humana e sobre a indignidade proveniente do pecado:
  • na dignidade enxerga a bondade e o amor com que criei o homem;
  •  na indignidade percebe a misericórdia, graças à qual dou-lhe o tempo (de arrepender-se) e o liberto do mal.
- Diante dessas realidades, a vontade se alimenta de amor: sente o desejo santo, despreza a sensualidade, torna-se humilde e paciente, concebe interiormente as virtudes, pratica-as mais ou menos perfeitamente no próximo, de acordo com a perfeição atingida.

- Em sentido inverso, se o apetite sensível procura os bens materiais, a eles orienta-se a inteligência; e quando a mesma toma como objeto os bens passageiros, surgem o egoísmo, o desprezo pelas virtudes, o apego ao vicio e, como consequência, o orgulho e a impaciência.

- Por sua vez, a memória encher-se-á com tais elementos, fornecidos pelo afeto sensual, obscurecendo-se a inteligência, que não mais vê senão aparências de bem.
- Tais aparências ficam sendo, então, a única claridade mediante a qual a inteligência olha e a vontade ama todo objeto de prazer.
- Sem estas aparências, o homem não pecaria, pois, como tendência inata, ele só pode desejar o bem. Peca, porque o mal toma colorações de bem.

- A inteligência não mais discerne ou reconhece a Verdade; por cegueira, engana-se e procura o bem e a satisfação onde eles não estão.

- Os prazeres mundanos são espinhos venenosos; engana-se a inteligência ao considerá-los; a vontade ao amá-los; a memória ao retê-los.

- Comporta-se a inteligência como uma ladra, apoderando-se do alheio; igualmente a memória, conservando a contínua lembrança de realidades distantes de mim. Com tudo isso, a alma se priva da minha graça.

- É muito estreita a união destas três faculdades. Quando uma delas me ofende, as outras também o fazem; uma apresenta a outra o bem ou o mal, conforme agrada ao livre arbítrio. Este se acha na vontade e a move como quer, em conformidade ou não com a razão.

- Possuís a razão –sempre unida a mim, a menos que o livre arbítrio a afaste mediante um amor desordenado- e tendes em vós uma lei perversa (conf. Rom 7,23), que luta contra o espírito.
- Tendes, então, duas partes em vós mesmos: A sensualidade a razão.
- A sensualidade foi dada ao homem como servidora, a fim de que as virtudes sejam exercidas e provadas através do corpo.
- O homem é livre, já que meu Filho o libertou com seu sangue. Ninguém pode dominar a pessoa humana quanto à vontade, pois ela possui o livre arbítrio. Este se identifica com a vontade, concorda com ela. Fica, pois, o livre arbítrio entre a sensualidade e a razão, e inclina-se ora de um lado, ora de outro, conforme preferir.

- Quando a pessoa tenta livremente ‘congregar’ as Três Faculdades em mim, na maneira explicada, todas as atividades espirituais e corporais humanas ficam unificadas.
- O livre arbítrio se afasta da sensualidade, tende para o lado da razão e Eu me coloco no centro das faculdades, realizando a Palavra de Meu Filho: “Quando dois ou três se reunirem em meu nome, estarei no meio deles” (Mt 18,20). Ninguém pode vir a Mim, senão por meio de Cristo.

(O Diálogo-Santa Catarina de Sena pg117)

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