sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Faculdades da Alma e os Mandamentos de Deus

- Sabes que os Mandamentos da Lei se reduzem a dois; sem eles, nenhum outro é observado. 
São Amar-me sobre todas as coisas e amar o próximo como a ti mesmo.
- Eis o começo, o meio e o fim dos Mandamentos da Lei.
- Todavia esses ‘dois’ não se ‘reúnem’ em Mim sem os ‘três’, isto é, sem a unificação das três Faculdades da alma: a memória, a inteligência e a vontade.
* A memória há de recordar-se dos meus benefícios e da minha bondade;
* A inteligência pensará no amor inefável revelado em Cristo, pois ele se oferece como objeto de reflexão para manifestar a chama do meu amor;
* A vontade, unindo-se as duas faculdades anteriores, me amará e desejará como seu fim.
Quando essas três Faculdades estão assim reunidas, acho-me presente entre elas pela graça. E, como conseqüência, a pessoa vê-se repleta de amor por mim e pelo próximo, ‘na companhia’ de verdadeiras e múltiplas virtudes.
Em primeiro lugar, a vontade se dispõe a ter sede.
Sede das virtudes, sede da minha glória, sede das almas.
- As demais sedes se apagam e morrem. Tendo subido o primeiro degrau, da afeição, o homem caminha seguro de si, sem temor servil.
- Livre do egoísmo, a vontade se põe acima de si mesma e acima dos bens passageiros. Se a pessoa quer possuir tais bens, ama-os e deles se serve de mim, com temor santo e verdadeiro, virtuosamente.
- Em seguida, passa-se ao segundo degrau, o da inteligência, no qual a pessoa, em cordial amor por mim, medita sobre Cristo Crucificado, enquanto mediador.
- Por fim a memória enche-se da minha caridade e alcança a paz e a tranquilidade.

- Um recipiente vazio, ao ser tocado, faz rumor; o recipiente cheio, nenhum som produz. Da mesma forma, quando a memória está tomada pela luz da inteligência e pelo amor, a pessoa já não se perturba diante das adversidades ou atrativos do mundo; está repleta da minha presença, como sumo bem; não sente falsas alegrias, nem impaciência.
- Quando o homem sobre os três degraus comuns (despojamento dos vícios, aquisição de virtudes e a paz), suas faculdades unificam-se, colocam-se sob o domínio da razão e ‘congregam-se’ em meu nome. Uma vez reunidos os dois amores –por Deus e pelo próximo- -com as três faculdades- a memória para reter, a inteligência para refletir e a  vontade para amar –encontra-se o homem na minha companhia, forte e seguro; está na companhia das virtudes; caminha seguro de si. Estou presente nele.

- Parte, então, o cristão, inflamado de desejo santo, sequioso de ir pelo caminho da verdade, a procura da fonte da água viva. É o desejo da minha glória, da salvação pessoal e da santificação alheia que incentiva a caminhar, pois é o único meio que possibilita alcançar a meta final.

(O Diálogo-Santa Catarina de Sena, pg122)

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